Após
alguns anos de convivência com minha grande amiga Verônica Alves,
ela se atinou para a origem de meu nome. Não veio do nada a
curiosidade. Em um dos meus impulsos por mais um curso, sobrou para a
amiga-parceirona a missão de fazer a matrícula (eu estava fora de
Goiânia), isso às 21:30, último dia de inscrição. Da história
contada, surgiu o pedido para uma crônica, de “tão incrível que
a Verônica ficou”. Retornemos à noite da matrícula, via app de
mensagem:
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Lud, preciso do nome dos seus pais.
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Paulo Déroulède da Rocha e Nilze Helena Déroulède.
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De onde vem o Pavlovna?
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O contrato pergunta isso?
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Não, eu que quero saber.
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Posso te explicar depois? Vamos fazer a matrícula agora?
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OK.
Dia
seguinte, o app não tarda.
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Oi. De onde vem o Pavlovna?
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Bom dia! Sim, tá tudo bem aqui.
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Fala, tô curiosa.
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Pavlovna significa “filha de Paulo”. Meu pai se chama Paulo.
Pavlov = Paulo; Na = filha. Ludmila filha de Paulo = Ludmila
Pavlovna. Dãããr...
__
E o Déroulède?
__ Déroulède
é nome composto do meu pai: Paulo Déroulède da Rocha.
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Ué... então você não tem nome de família?
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Seria ‘Rocha’, do meu pai, ou ‘Martins Ferreira’, da minha mãe, mas eles
não quiseram e botaram o Déroulède em nós – do nome composto
dele – como sobrenome dos filhos.
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E de onde vem ‘Paulo Déroulède’?
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(arrependimento de ter pedido essa onça para fazer a minha
matrícula...) Vem de Paul Déroulède, um cientista
político francês admirado pelo meu avô biológico paterno.
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Meu Deeeus...que interessante...
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Nenhuma ascendência russa, polonesa ou francesa, Verônica. Tudo
goiano de Rio Verde e de Buriti Alegre.
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Muito melhor que Ludmila Martins da Rocha.
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Eu ia me chamar Tatiana ou Janaína.
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Piorou.
O
relato dessa história repetiu-se por anos e anos ao longo da minha
vida. Um dos mais constrangedores foi quando abri uma franquia
de intercâmbio cultural em Goiânia, ligada ao escritório de
Brasília. A pergunta sobre a origem do meu nome, feita pelo casal
empreendedor que me entrevistava, exigia uma resposta que
determinaria a autorização ou não para a abertura do meu
escritório. Resolvi arriscar o pescoço e contar a verdade.
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Oh, for Godness sake (puta que pariu...)!!
Honey, follow me... (pobre criatura, preste bem atenção).
We really liked you a lot and you are the right person for the job!
(Apesar dessa história hedionda, você é a única coisa que nos
restou). Mas não a conte a nenhum cliente. A empresa é de intercâmbio cultural e seria
muito bom que se pensasse que você de fato tem ascendência estrangeira
(se você se chamasse ‘Janaína Martins da Rocha’ – nome
casando com origem –, nenhum problema, mas chamar-se ‘Pavlovna
Déroulède’ de Rio Verde das abóboras não dá, gata).
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For sure! :/
Os
inúmeros contatos com estrangeiros e brasileiros ao longo dos 4 anos
de escritório de intercâmbio quase sempre se introduziam com a
pergunta:
__ Ascendência russa?
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Mais ou menos.... Boleye ili meneye...
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Francesa? Polonesa?
__ Merde!
Gówno! Então! Inglaterra ou Austrália? Austrália é
mais quente...
A
coisa ficava mais delicada durante as reuniões nacionais em que os dirigentes das
franquias se encontravam:
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VOCÊ!!!! é Ludmila Pavlovna Déroulède? Meu Deeus... Achei que era
loira, alta e gorda. Ascendência o quê?
Verônica
Alves, acredito que a coisa agora vá melhorar para o meu lado. Ao
ser perguntada sobre a origem do meu nome, direi: acesse meu blog. Lá
se conta a história (preguiiiçaa).
Sabendo
que dificilmente essas pessoas acessarão o espaço, pouparei tempo,
explicações e algumas interjeições com o nome de Deus em vão.
Assim, a dúvida dificilmente persistirá: a ascendência
eurasiática/europeia tá na cara...basta olhar direitinho. Olhe mais
um pouco. De perfil, olha de perfil! No escuro, de costas e debaixo
do cobertor... deu?