Quando a palavra escrita fala mais



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Tá combinado, Vinícius


Hoje a tristeza tomou conta de mim. Acontece.
Não é só pelo jogo de Goiás e Goianésia. Cadê esse campeonato brasileiro que não começa...

Nada de mais, só o lamento de observar o quanto as pessoas podem ser implacáveis com a fragilidade de seus pares, ainda que as virtudes sejam infinitamente maiores. “Difícil lidar com isso. Melhor nem tentar”. Mundo triste, sem espaço para um momento de receio... Sensibilidade enganosa. Mundo coisificado de pessoas descartáveis, de relacionamentos sem profundidade representados pela preguiça de experimentar por completo, a parte boa e ruim...

Nessas horas, o “mãããinhê” do Samuel, o sorriso do Luca e a música me dão sentido. Não tive o primeiro. Sinto falta do meu menino que quer, de um jeito torto, mudar esse mundo. Tive o segundo, com um interesse que me dá esperança: “o que foi, mamãe?"... Tive a última também. Vinícius e Baden deram. Martinália cantou. E eu cantei junto.

Martin'ália - Pra que chorar
Vídeo e relato de Vinícius em 'Pra que chorar'...belo..

Pra que chorar 
Se o sol já vai raiar 
E o dia vai amanhecer 

Pra que sofrer 
Se a lua vai nascer 
E é só o sol se pôr 

Pra que chorar 
Se existe amor 
A questão é só de dar 
A questão é só de dor, de dor 

Quem não chorou 
Quem não se lastimou 
Não pode nunca mais dizer 

Pra que chorar, pra que sofrer 
Se há sempre um novo amor 
A cada novo amanhecer...


Ludmila Filha de Paulo sem nome de família Déroulède


Após alguns anos de convivência com minha grande amiga Verônica Alves, ela se atinou para a origem de meu nome. Não veio do nada a curiosidade. Em um dos meus impulsos por mais um curso, sobrou para a amiga-parceirona a missão de fazer a matrícula (eu estava fora de Goiânia), isso às 21:30, último dia de inscrição. Da história contada, surgiu o pedido para uma crônica, de “tão incrível que a Verônica ficou”. Retornemos à noite da matrícula, via app de mensagem:

__ Lud, preciso do nome dos seus pais.
__ Paulo Déroulède da Rocha e Nilze Helena Déroulède.
__ De onde vem o Pavlovna?
__ O contrato pergunta isso?
__ Não, eu que quero saber.
__ Posso te explicar depois? Vamos fazer a matrícula agora?
__ OK.

Dia seguinte, o app não tarda.

__ Oi. De onde vem o Pavlovna?
__ Bom dia! Sim, tá tudo bem aqui.
__ Fala, tô curiosa.
__ Pavlovna significa “filha de Paulo”. Meu pai se chama Paulo. Pavlov = Paulo; Na = filha. Ludmila filha de Paulo = Ludmila Pavlovna. Dãããr...
__ E o Déroulède?
__ Déroulède é nome composto do meu pai: Paulo Déroulède da Rocha.
__ Ué... então você não tem nome de família? 
__ Seria ‘Rocha’, do meu pai, ou ‘Martins Ferreira’, da minha mãe, mas eles não quiseram e botaram o Déroulède em nós – do nome composto dele – como sobrenome dos filhos.
__ E de onde vem ‘Paulo Déroulède’?
__ (arrependimento de ter pedido essa onça para fazer a minha matrícula...) Vem de Paul Déroulède, um cientista político francês admirado pelo meu avô biológico paterno.
__ Meu Deeeus...que interessante...
__ Nenhuma ascendência russa, polonesa ou francesa, Verônica. Tudo goiano de Rio Verde e de Buriti Alegre.
__ Muito melhor que Ludmila Martins da Rocha.
__ Eu ia me chamar Tatiana ou Janaína.
__ Piorou.

O relato dessa história repetiu-se por anos e anos ao longo da minha vida. Um dos mais constrangedores foi quando abri uma franquia de intercâmbio cultural em Goiânia, ligada ao escritório de Brasília. A pergunta sobre a origem do meu nome, feita pelo casal empreendedor que me entrevistava, exigia uma resposta que determinaria a autorização ou não para a abertura do meu escritório. Resolvi arriscar o pescoço e contar a verdade.

__ Oh, for Godness sake (puta que pariu...)!!    Honey, follow me... (pobre criatura, preste bem atenção).  We really liked you a lot and you are the right person for the job! (Apesar dessa história hedionda, você é a única coisa que nos restou).  Mas não a conte a nenhum cliente. A empresa é de intercâmbio cultural e seria muito bom que se pensasse que você de fato tem ascendência estrangeira (se você se chamasse ‘Janaína Martins da Rocha’ – nome casando com origem –, nenhum problema, mas chamar-se ‘Pavlovna Déroulède’ de Rio Verde das abóboras não dá, gata).

__ For sure! :/ 

Os inúmeros contatos com estrangeiros e brasileiros ao longo dos 4 anos de escritório de intercâmbio quase sempre se introduziam com a pergunta:


__ Ascendência russa?
__ Mais ou menos.... Boleye ili meneye...
__ Francesa? Polonesa?
__ Merde! Gówno!  Então! Inglaterra ou Austrália? Austrália é mais quente...

A coisa ficava mais delicada durante as reuniões nacionais em que os dirigentes das franquias se encontravam:

__ VOCÊ!!!! é Ludmila Pavlovna Déroulède? Meu Deeus... Achei que era loira, alta e gorda. Ascendência o quê?

Verônica Alves, acredito que a coisa agora vá melhorar para o meu lado. Ao ser perguntada sobre a origem do meu nome, direi: acesse meu blog. Lá se conta a história (preguiiiçaa).

Sabendo que dificilmente essas pessoas acessarão o espaço, pouparei tempo, explicações e algumas interjeições com o nome de Deus em vão. Assim, a dúvida dificilmente persistirá: a ascendência eurasiática/europeia tá na cara...basta olhar direitinho. Olhe mais um pouco. De perfil, olha de perfil! No escuro, de costas e debaixo do cobertor... deu?