Quando a palavra escrita fala mais



sábado, 28 de agosto de 2010

Ela É Ele


Não está errado. O título do post é  "Ela  É  (do verbo  ser) Ele". 

Dizem que esse médico de Goiânia não erra. É dizê-lo Deus, mas eu acreditei. Não irei expô-lo, afinal, faço mea culpa.

___ 80% . Quer saber?
___ Quero. [eis a mea culpa]
___ Menina.
___ (!!!!!)

Mais de um mês me acostumando com a ideia, reformulando as expectativas, baixando arquivos de quartos lilás, medindo o espaço do guarda-roupas do quarto em obras e pensando em como trançar um cabelo, afinal, não me imaginava mãe de menina. Já havia externado esse medo por aqui.

___ Eu te disse daquela vez o sexo?
___ Indicou 80% de chance, mas não vou lembrá-lo qual.
___ 80%?  Eu disse menino, né?

Silêncio. Samuel me olha. Minha mãe congela. Tento quebrar o clima:

___ Menino?
___ Sim, um garotão. Não foi isso que eu disse da outra vez?
___ Não! Você disse menina!
___ Erramos....
___ Erramos não. Você errou! [pesei o clima]
___ É, errei.

Samuel se recusa:

___ Tem certeza? Eu tenho um amigo, o Danilo, que nasceu homem e era pra ser mulher. Só na hora de nascer é que viu que era homem (criança adora contar histórias nomeando o amigo ou a menina vizinha do primo que um dia teve uma cachorra que nasceu com uma verruga gigante que, na verdade, era um umbigo e que de dentro saía um bicho enorme, branco, com uma gosma amarela ................). Será que não é a posição aí que tá fazendo achar que é homem?

___ Samuel,  é Samuel, né?
___ Anham...
___ Então, Samuel, isso aqui [aponta na tela do monitor] é pinto. Isso é pinto!

Minha mãe arremata, já desolada, atingida pelo golpe mortal:

___ Tá bom, gente... o importante é que venha com saúde....
(A frase não poderia retratar melhor a frustração).

Eu sorria, desconcertada.

A casa está em obras. Eu estou em obras. Minha cabeça e meu corpo estão em obras, quem sabe de Deus.

O quarto que seria dela é dele, sempre foi. E tudo mais, daqui pra frente.

Estou te esperando, meninão!  


(E como diria um colega de trabalho, ao saber da odisseia do sexo do meu bebê, "é melhor mudar de sexo enquanto está dentro da barriga. Depois que sai, é bem mais triste". HTCF)
 


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Fé em Deus, pé na tábua


Sou cristã. Essa declaração é necessária, já de cara, sem medo, sem vergonha. "Nossa... uma moça tão inteligente, estudada, viajada, esclarecida...". Isso mesmo. Sou cristã por tudo isso que dizem de mim e por muito mais. E sou pecadora. Erro 'demaaaaaais da conta', como dizem os da minha terra. Sou cristã por convicção e experimentos diversos com Deus, e não por uma necessidade do ser humano em acreditar em alguma coisa para que a vida e as dores façam algum sentido.

Sou cristã pela graça de sentir o perdão e o apoio diário de Jesus em minha vida, apesar de mim. Ainda que se discorra e faça algum sentido lógico de que o homem é quem teria criado Deus, e não o contrário, essa lógica, pra mim, cada vez mais cede lugar à pessoalidade que tenho com Deus. E sou cristã também em razão dessa mesma lógica. 

Aos meus amados amigos, familiares e colegas cristãos - e aos ainda mais amados amigos, familiares e colegas não cristãos - posto essa série de textos de fé na página FÉ EM DEUS, PÉ NA TÁBUA (coluna direita do blog), todos com embasamento bíblico, que muito têm significado e ressignificado a minha vida, diariamente. Eu os leio e os releio. Sinto a renovação, a esperança. Sinto Deus em minha vida ontem e hoje e agora. Espero que cada amigo leitor também O sinta.