Quando a palavra escrita fala mais



terça-feira, 22 de março de 2011

Meia noite, noite inteira



O motivo para se estar aqui, a essa hora, desta vez não é mera insônia. Ela sempre fez parte da minha rotina que se distribuía, nos últimos anos, entre acordar às 6h30min, levar Samuquinha ao colégio,  café da manhã em casa, visitas novamente à escola do Samuel para 'checar' as coisas, trabalho, um raro happy hour entre 19h e 20h (é, isso não faz parte da rotina), pegar o Samuel nas atividades e retornar à casa. A insônia - ou o ciclo teoricamente invertido de sono - fazia-me dormir por volta das 3 da manhã, acordando 3 horas depois e não dormindo mais. Daí o ciclo 'teoricamente' invertido.

Vez ou outra as apresentações musicais revigoravam-me, fazendo-me sentir quem de fato sou. Sensação muito mais intensa e prazerosa do que a finalização de uma peça jurídica extensa e cansativa, que mais se tornava um alívio que propriamente um prazer. Sinto falta de tudo isso, inclusive do peso jurídico, ou dos debates ambientais.

O tempo agora é tomado por uma coisinha maravilhosa que mede 62cm e acorda "meia noite, noite inteira, 3, 4, 5 da manhã". Incrível como aos 38 anos ainda é possível se surpreender com a disposição e vontade de cuidar de uma pessoa em miniatura que toma todo o seu tempo e energia e a devolve por completo em um pequeno gesto de desenvolvimento ou um curto espirro lindamente gostoso. Como diz minha mãe, "como é fácil amar de imediato uma criança".

O Luca ainda não se deu conta da sua especialidade; eu sim. Para o choro e o sorriso - que já surge  intencionalmente - as palavras são amor e gratidão. Acordar de madrugada, quando é possível dormir, tornou-se tarefa árdua e simultaneamente prazerosa e, como não consigo ver um bom filme pela metade, opto pelo canal aberto com programas matinais curtos que ao mesmo tempo mantenham meus olhos abertos mas não interessados, pois estão atentos e apaixonados por ele, aceso das 5 às 7 da matina.

Entre o Telecurso, G. Rural, Bom Dia Goiás, Bom Dia Brasil e Mais Você há espaço para o choro, o sorriso, a cólica, a troca de fralda, a amamentação, o sono nem sempre satisfeito e até para o teste do omelete da Presiden-TA!

Hoje, exatamente hoje no início da noite, o olhar para o Luca foi diferenciado, de cura e propósito. Não tenho a música que, saindo do meu ventre e da minha garganta, acalmava-me para a próxima batalha. Padeço da falta da defesa ambiental e indígena que tanto me alimenta. Restaurantes japoneses? Bo!

Tenho o Luca, que mais que tudo isso, já olha nos meus olhos e, ao que tudo indica, quer me amar gratuita e desmerecidamente e ser amado - mais que já é. Um bebê com menos de 2 meses que esta noite, por volta das 19:40, exigiu-me o peito, lembrou-me de quem eu sou, fez secar minhas lágrimas e, meio que sorrindo, pediu-me para eu viver.

Obrigada, meu filho, por me ensinar. 
Esse é o motivo da minha insônia, esperando, daqui a pouco e feliz da vida, por você...