Eis um exemplo dos inusitados presentes que recebo ao pesquisar sobre os mais variados temas, durante a revista de textos. Acho que agora dará para entender por que a coisa vicia.
"O deputado Teixeira Coelho, do Maranhão, fiel ao purismo lingüístico de São Luís, a Atenas brasileira (que depois do Sarney virou a 'apenas brasileira' - [esse adendo é ótimo] ), ficou indignado:
__ Deputado Flores da Cunha, V. Exa. não pode estar nesta Casa, onde se deve primar pela pureza da língua, a cometer esses deslizes de pronome fora do lugar, começando os períodos.
__ Isso é coisa de importância menor, deputado. O principal é a idéia.
__ Desculpe, Exa., mas não é. Lá em São Luís não admitimos isso em estudante de ginásio.
Flores da Cunha deu uma baforada, olhou lá de cima com total desprezo:
__ Senhor deputado, lá no Rio Grande a gramática é livre, como livre são os pampas e o minuano, como é livre o gaúcho.
__ Mas não está dispensado de respeitar a língua.
__ Ora, deputado, quem é V. Exa. para corrigir minha linguagem?
__ Sou um deputado, como V. Exa.
__ Mas sem autoridade nenhuma para falar de pronomes. V. Exa. é o próprio pronome mal colocado. V. Exa. é um pronome errado.
__ Não entendi, deputado.
__ Olhe sua carteira de identidade. V. Exa. é ‘Teixeira’ Coelho. Em nome do purismo da língua deveria chamar-se ‘Xeira-te’ Coelho.
O Teixeira calou."
Relato de Sebastião Nery, jornalista, escritor e político, entre outras coisas,
sobre causo publicado na Folha de S. Paulo
em 18.2.81 e posteriormente transcrito por Celso Luft no Correio do Povo.
[Taí, uma bela homenagem a um gaúcho de quem tenho o prazer de ser amiga].
E para tentar resolver o que as inúmeras regras sobre colocação pronominal não resolvem:
"Se sentiu, se tentiu, oi tentiu, no ventiu..."
Melhor usar 'sentiu-se'."
Melhor usar 'sentiu-se'."

