Quando a palavra escrita fala mais



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

NOSSO PEQUENO...



Vejam algumas fotos do nosso bebê no link ASSUNTOS - NOSSO PEQUENO, coluna lateral direita do blog. 
Enjoy...

Ludmila


Sobre lugares



A ocasião pede um post "sobre o tempo", escasso pra mim nos últimos dias. Ter um filho é missão bem mais trabalhosa que plantar uma árvore e escrever um livro.

Então transcrevo um trecho 'sobre lugares' de um livro em que trabalhei como revisora, relembrado pelo meu amigo Edson Quaresma, editor da obra.

"Sobre lugares:
Nascemos num lugar dentro do corpo da mãe; a mãe está num lugar dentro de uma casa ou de um hospital; esse está num lugar na cidade ou no campo que, por vez, está num lugar dentro de um estado, de um país, de um continente. Mas, há outros lugares – os de dentro, os que não se enxergam, não se pisam, não se tocam... O meu lugar no olho daquele que me vê; o lugar do estranho na sensação do meu espanto; os trieirinhos da alma, cada coisa sentida, cada afeto recebido, cada desejo não cumprido. Ou mesmo os rios das paixões desacertadas, os mares transbordantes do medo que quiseram se transformar em dores... Sempre perguntamos 'qual é o meu lugar?' O lugar do meu nome na língua..."
(Eguimar Chaveiro, 2005).

Qual é o meu lugar? tenho a impressão de estar o encontrando na estrada percorrida, cheia de tropeços. Que você, filhote, esteja ao meu lado nessa caminhada...


domingo, 23 de janeiro de 2011

'Vem pra mamãe você também, vem!'



Sempre dizem que grávida tem sensibilidade extrema, mas nem precisavam dizer. Minha primeira gestação, há 14 anos e meio, teve altos e baixos. Eu em Brasília, o então amor (hoje verdadeiro irmão) em Goiânia. Nós em Hidrolândia, nos finais de semana. Protagonistas de música ao vivo em bares, o sossego era raridade e o sono, uma constante.

Em alguns momentos, no aconchego do mato e com o cobertor semirasgado feito de lã já puída, cantava-se sob a lua (ou para ela), com o queijo assando à beira da fogueira. "Festa estranha com gente esquisita"... isso também fazia parte. Música, muita música, e o andar do companheiro às 4 da manhã mata afora. Momentos dele e dele. Eu, de longe, olhava, tentando compreender o que hoje é muito nítido pra mim. O encontro pessoal necessário. Momentos 'a um'.

E nesse contexto de distância, encontros, fogueira, sono e barriga, a sensibilidade fluiu. Chorava muito, senti-me feia (20 kg a mais), apesar dos tantos elogios e apoio daqueles que compartilhavam a vida comigo. Mas chorava. E chorava.

A atual gestação (há exatos 8 minutos estou tentando encontrar as palavras para descrevê-la neste espaço...)... Ufa! A atual gestação foi um misto de susto, desespero, abandono, luta pessoal, provações.

Em meio a isso, meu meninão, que nasce daqui a 3 dias, infelizmente viveu as minhas dores, na minha incapacidade de dizer-lhes 'não' quando mais precisava e menos conseguia. A sensibilidade, duplicada pelos meus 38 aninhos, triplicada pelos hormônios próprios da prenhez e elevada à 8ª potência pela crueldade humana, atingiu seu ápice no assistir não só de uma, mas de duas e de três publicidades bancárias. Não, não tem graça, mas um dia ainda vou rir disso...   :)

O melhor vai começar. Primeiro aquele lindo garotinho de aproximadamente 1 ano, de body azul claro, que se levanta com dificuldade - mas persistente e confiante - com a emocionante trilha do Guilherme Arantes em versão propositadamente melódica:

"Você mostrou pra mim como enxergar, assim, mais de um milhão de motivos pra sonhar, enfim... e é tããão gostoso ter os pés no chão e ver que o melhor da vida vai começar..." Em 2011, o melhor da vida vai começar.

Objetivo atingido (afinal, se há alguma imagem de banco associada a uma criança é a desse banco brasileiro e sua caderneta de poupança); mas talvez não tivessem noção de que o caminhar exitoso daquele garoto pudesse simbolizar tanta realidade e fazer alguém chorar copiosamente e sorrir ao mesmo tempo, grata e confiante.

Presença Lado a Lado. A campanha reforçou que "presença de verdade é estar lado a lado". Na publicidade de final de ano, pessoas que não se conhecem - mas ocupam um mesmo metrô - descem na estação, onde seus pares as aguardam. Abraços entre pais e filhos, avós e netos, irmãs e irmãos, namorados e namoradas que vivem distantes se multiplicam e a saudade é finalmente aliviada pelo reencontro, pela presença, lado a lado. E dá-lhe lágrima, porque lágrima que é lágrima corre "lado a lado"!

Juntos.
"Para fazer um mundo mais colorido só existe uma cor: todas.
 Para fazer um mundo mais responsável só existe uma lei: a da consciência.
 Para fazer um mundo mais sustentável e pacífico só existe uma fórmula: a do respeito.
 Para fazer um mundo melhor só existe um jeito: juntos".

E a nova curta para o cúmulo da sensibilidade é 'chorar com publicidade de banco'.

Luca, você mostrou pra mim como enxergar, assim, mais de um milhão de motivos pra sonhar, enfim... e é tão gostoso ter os pés no chão e ver que o melhor da vida vai começar, com todas as cores do mundo disponíveis pra nós, lado a lado, juntos... Vejo você em 3 dias, meu mais novo e eterno amor...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Aceitação



A recente tragédia no estado do Rio de Janeiro nos torna ainda menores, não 'somente' pelas dimensões épicas do episódio e pela nossa incapacidade e inoperância frente a ele, mas por apontar com crueldade àqueles que dele não padecem (entre os quais me incluo) a pequenez de alma vivida no dia a dia e dos problemas, reais, mas menos pesados que supomos, bem menos.

Verdade que a realidade de cada um delimita a sua dor e difícil atentar que ela é mais que romântica e burguesa, pois beira o adjetivo "vergonhosa", até que nos atentamos. Diante - mas ainda estáticos - de perdas irreparáveis como as mortes reais no Rio, em Minas e mundo afora, percebemos que nossas mortes internas são ressuscitáveis, aquelas não. E é exatamente aí que nos tornamos maiores e mais fortes.

Pedreiro perde filho de 2 anos, esposa e mãe; recebe abrigo seguro mas se recusa: prefere ser voluntário e ajudar a salvar os demais, ao tempo em que enterra os que ama. As lágrimas - necessárias - finalmente caem por alguns minutos. A vida, contudo, impõe-lhe mais, guiar bombeiros e médicos pela região devastada e tão bem conhecida dele. E por ali ele vai, resoluto.

Enquanto isso, lamentamos com a mais profunda dor a frustração dos nossos planos padrões, talvez por sabermos da nossa capacidade de realizá-los, é verdade, e não nos conformamos com o que a vida nos apresenta no momento: "é o que tem pra hoje."

Com diz um amigo muito querido, "começamos 2011 foi é bem, Lud; deixemos as dúvidas e dores em 2010"; em conversas como essas, com pessoas que realmente se ocupam da amizade consciente, não tendenciosa e da solidariedade, e no reflexo da luz da TV noticiando a tragédia maior, os problemas - muitas vezes  representados na figura de pessoas indispostas a amar e a se doar com o necessário sacrifício; das perdas financeiras; da obra inacabada; do filho por vir sem as condições emocionais, afetivas e sem o teto confortável sonhados; da incompreensão; da acusação desferida contra o outro para ocultar e justificar a própria inércia, o próprio caráter comprometido, as próprias fraudes, a perdição total e o aniquilamento de valores - passam a ser vistos com a necessária autoestima e amor próprio e nos envergonhamos da autopiedade, da condição de humilhação que permitimos nos seja colocada e - na verdade - nos colocamos.

A famosa frase de consultório, dita sem a necessária reflexão e profundidade, se repete sem o menor constrangimento: "ninguém é responsável pela (in)felicidade do outro". A palavra 'responsabilidade' é banalizada por ser pesada demais pra quem não a compreende; assim, adere-se, sem qualquer análise, ao quase jargão; mas somos, no mínimo, responsáveis pelo nosso comportamento nas relações a que nos propomos e na medida que nisso negligenciamos, afetamos tremendamente a vida alheia, não tão alheia assim, pois nela nos entrelaçamos voluntariamente.

A meta de refazimento pessoal, como a do pedreiro, com dignidade e determinação com os nossos e com o desconhecido é premente. Acordemos, finalmente, para a lição adquirida, não só de responsabilidade com a vida 'alheia', mas de solidariedade e disposição.

A minha eutanásia cessou e a vida abundante se consolida a cada instante. Solidarizo-me com o Rio, solidarizo-me com as minhas tragédias pessoais. Guiemos o rumo da nossa história, como o pedreiro determinado, e paremos com o "deixa a vida me levar, vida leva eu". Não fosse o parto iminente, eu estaria lá com ele.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Seiva e Suor




"Contra uma visão alarmista que chama apenas para as lágrimas, para os lamentos e não para a luta, é preciso enunciar o seguinte: ideias e projetos são seivas da vida, mas necessitam de punho, ação e suor para se concretizar. E se há destruição (e há), é preciso dizer o nome de quem destrói e por que destrói,
para que haja conscientização e reconstrução".

As revisões de texto me enriquecem a cada instante. O trecho acima, retirado de um livro em elaboração, é voltado para a geografia, para o humano, para o amor, para a vida e reforça que talvez alguns de nós estejamos no caminho certo da transformação e da reconstrução.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Rostinho do Luca....




Essa é uma "foto" do rosto do meu bebê, dormindo...
Não sei se é coisa de mãe ansiosa, mas ele parece meio bochechudo, não acham?



Fotos - Chá do Luca



No link 'Assuntos" (coluna direita da página) estão as fotos do chá de bebê do Luca, inteiramente organizado por minha amiga e irmã Adriana, a quem serei grata pelo resto da vida pelo companheirismo e amizade.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cortar o Tempo

(Carlos Drummond de Andrade)

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."


Renovação. Milagre. Outro número. Outra vontade. Acreditar que vai ser diferente. E vai. São as palavras de ordem para esse momento. 
2011 de fé e ação a todos, inclusive pra mim...
Mila

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Chuva, Música e Cuscuz



A chuva geralmente é associada a momentos de tristeza preexistentes ou mesmo originalmente atribuídos a ela. Por várias vezes tive alguma melancolia aprofundada pela chuva ou pelo tempo fechado. Para nós, do planalto central - e nossa típica escassez de chuva por longos meses ao ano – difícil se habituar a ela. Estamos acomodados ao céu azul e ao sol, luz, cor. A chuva, coitada, vive uma relação de amor e ódio conosco:

__ Hoje bem que 'podia' chover pra dar uma refrescada”.
__ Que raio de chuva que não passa! Me atrapalhou toda”.

__ Adoro ver a chuva caindo...”
__ Puxa...queria tomar um sol hoje e essa chuva que não passa!”.

A música, metaforicamente, também a usa com frequência ligando-a às inquietações da alma, à tempestade de emoções e dores, ao fim de relacionamentos e por aí vai...:

Você não sabe muito bem onde ir
Não tente me confundir
Quer chuva? Deixa rolar...
Afinal as nuvens estão ou não estão carregadas?"   
Capital Inicial

(ele):
___ Vai chover de novo,
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim...
Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar,
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade...
(ela):
___ Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem!
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar...”
Los Hermanos (p/Maria Rita)

“Mas quando eu comecei a gostar de você
Você me abandonou
Agora chora que é bom, chorar que eu quero ver
Vai começar a chover
Só eu tenho um guarda chuva
Adivinha quem vai se molhar
Quem vai se molhar é você
Também posso chorar, e eu não volto atrás
Pois no meu guarda-chuva não te levo mais ...
"  Fernanda Porto - 'Dj Patife' (p/ Paula Lima)

Putz! Até o 'DJ Patife' sente com a chuva!

Há quem diga que a ciência já apontou que os níveis de serotonina de uma pessoa caem com o tempo chuvoso. Já dizia uma 'famosa' frase de caneca: “The rain and my serotonina levels are falling”.

Aos 20 anos de idade, mais ou menos, em um desses momentos 'in and under” de chuva, uma amiga me alertou:
__ A chuva provoca renovação, desde o amarelo seco que vira verde na natureza até o limpar da alma, após muitas gotas de água e de lágrimas”. Inesquecível.

Hoje o dia amanheceu chuvoso aqui na minha terra. Não clareava mesmo. Já eram 9 horas da manhã (com cara de 6) quando meu fone tocou:

__ Bom dia! O que você está fazendo?”
__ Estou revisando um texto”!
__ Venha aqui agora?!”
__ Posso passar aí às 10, quando sair para o trabalho?”
__ É que fiz um cuscuz com café. Tá quentinho”.

O benfeitor que me fez sentir o cheiro de café e cuscuz a 200m de distância é o Edson, amigo e vizinho. Prendado o rapaz. A primeira surpresa que tive com ele ocorreu poucos dias antes, quando revisávamos um dossiê de despedida da vida política de uma deputada federal goiana. Nessa ocasião, sentei-me pela primeira vez na varanda da minha casa, em construção. Eu, na cadeira de madeira, como uma boa grávida de 8 meses limitadíssima, e ele, acomodado em dois tijolos 'malarrumados'. Conversamos, descansamos do texto e vimos a paisagem. Depois, falamos de leite com farinha e de leite com abacate, confortantes, mas assunto para outro post.

Voltemos ao cuscuz.

Às 10 de hoje passei lá. Três ruas abaixo da minha e havíamos nos visitado somente 4 vezes no total, 7 anos de vizinhaço.
Mesa posta. Cuscuz quente. Outro vizinho junto, o Emerson. Três músicos juntos comendo cuscuz com café? Faltava o violão e ele não tardou.

...Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar...”    
(Nando Reis e Ana Cañas)
Eu errando a letra e o Edson apanhando do violão.

Daí para o Dalto (lembram do Dalto?) foi um pulo. Marina Lima, Roupa Nova e, finalmente, Beto Guedes e o seu belo setembro anunciando o sol de primavera.

Setembro já passou. O sol de primavera também. Agora é chuva e ela estava ali, presente, testemunhando uma manhã despretensiosa, com ares de tristeza imediatamente transformada em amizade e leveza. Presentes de Deus eles, o violão, o cuscuz, o café, a chuva. As palavras do Beto também. Transformo-as:

Quando entrar janeiro e a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou, juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar...
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Chuva de verão... abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor,
só nos resta aprender... “

O renovo está aí. Os frutos, o perdão, o crescimento no que falta sonhar, a chuva. 
Meu filho nascerá com ela e eu a apreciarei, com ele nos braços, deitados na rede da varanda do quarto.

A lição, reforçada pela chuva de hoje, eu sei de cor, só me resta aprender...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Muuuuito Grávida


Amigos,

as fotos da minha gravidez estão no link ASSUNTOS - "Muuuuuito Grávida" -, aba lateral direita do blog.
Espero que gostem.