Sempre dizem que grávida tem sensibilidade extrema, mas nem precisavam dizer. Minha primeira gestação, há 14 anos e meio, teve altos e baixos. Eu em Brasília, o então amor (hoje verdadeiro irmão) em Goiânia. Nós em Hidrolândia, nos finais de semana. Protagonistas de música ao vivo em bares, o sossego era raridade e o sono, uma constante.
Em alguns momentos, no aconchego do mato e com o cobertor semirasgado feito de lã já puída, cantava-se sob a lua (ou para ela), com o queijo assando à beira da fogueira. "Festa estranha com gente esquisita"... isso também fazia parte. Música, muita música, e o andar do companheiro às 4 da manhã mata afora. Momentos dele e dele. Eu, de longe, olhava, tentando compreender o que hoje é muito nítido pra mim. O encontro pessoal necessário. Momentos 'a um'.
E nesse contexto de distância, encontros, fogueira, sono e barriga, a sensibilidade fluiu. Chorava muito, senti-me feia (20 kg a mais), apesar dos tantos elogios e apoio daqueles que compartilhavam a vida comigo. Mas chorava. E chorava.
A atual gestação (há exatos 8 minutos estou tentando encontrar as palavras para descrevê-la neste espaço...)... Ufa! A atual gestação foi um misto de susto, desespero, abandono, luta pessoal, provações.
Em meio a isso, meu meninão, que nasce daqui a 3 dias, infelizmente viveu as minhas dores, na minha incapacidade de dizer-lhes 'não' quando mais precisava e menos conseguia. A sensibilidade, duplicada pelos meus 38 aninhos, triplicada pelos hormônios próprios da prenhez e elevada à 8ª potência pela crueldade humana, atingiu seu ápice no assistir não só de uma, mas de duas e de três publicidades bancárias. Não, não tem graça, mas um dia ainda vou rir disso... :)
O melhor vai começar. Primeiro aquele lindo garotinho de aproximadamente 1 ano, de body azul claro, que se levanta com dificuldade - mas persistente e confiante - com a emocionante trilha do Guilherme Arantes em versão propositadamente melódica:
"Você mostrou pra mim como enxergar, assim, mais de um milhão de motivos pra sonhar, enfim... e é tããão gostoso ter os pés no chão e ver que o melhor da vida vai começar..." Em 2011, o melhor da vida vai começar.
Objetivo atingido (afinal, se há alguma imagem de banco associada a uma criança é a desse banco brasileiro e sua caderneta de poupança); mas talvez não tivessem noção de que o caminhar exitoso daquele garoto pudesse simbolizar tanta realidade e fazer alguém chorar copiosamente e sorrir ao mesmo tempo, grata e confiante.
Presença Lado a Lado. A campanha reforçou que "presença de verdade é estar lado a lado". Na publicidade de final de ano, pessoas que não se conhecem - mas ocupam um mesmo metrô - descem na estação, onde seus pares as aguardam. Abraços entre pais e filhos, avós e netos, irmãs e irmãos, namorados e namoradas que vivem distantes se multiplicam e a saudade é finalmente aliviada pelo reencontro, pela presença, lado a lado. E dá-lhe lágrima, porque lágrima que é lágrima corre "lado a lado"!
Juntos.
"Para fazer um mundo mais colorido só existe uma cor: todas.
Para fazer um mundo mais responsável só existe uma lei: a da consciência.
Para fazer um mundo mais sustentável e pacífico só existe uma fórmula: a do respeito.
Para fazer um mundo melhor só existe um jeito: juntos".
E a nova curta para o cúmulo da sensibilidade é 'chorar com publicidade de banco'.
Luca, você mostrou pra mim como enxergar, assim, mais de um milhão de motivos pra sonhar, enfim... e é tão gostoso ter os pés no chão e ver que o melhor da vida vai começar, com todas as cores do mundo disponíveis pra nós, lado a lado, juntos... Vejo você em 3 dias, meu mais novo e eterno amor...


