Quando a palavra escrita fala mais



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Muuuuito Grávida


Amigos,

as fotos da minha gravidez estão no link ASSUNTOS - "Muuuuuito Grávida" -, aba lateral direita do blog.
Espero que gostem.
 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ausência



" Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausta.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."

(Vinícius de Moraes)

Amigos, ausento-me daqui e de tudo por um tempo. Preciso curar feridas, preparar-me para o meu bebê que chega, amá-lo mais que tudo na vida, mais que a mim mesma e a meus devaneios. Dar-me a ele. Este blog não é um espaço de lágrimas, mas de experimentos positivos e realizações. Voltarei assim, realizando e realizada. Amo vocês. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Receita



Sei que não há receitas para um monte de coisas, mas pode haver para algumas.

Uma delas me foi apresentada ontem, por meio de um e-mail singelo e profundo de uma amiga que me quer tão bem, mas tão bem, que sinto vergonha de não me querer tanto assim.

A receita aparentemente é culinária, mas o efeito pretendido pretere a cozinha na intenção, talvez, de ajudar-me a fazer as pazes comigo mesma. Não se separa um momento desses -  dedicado, à beira do fogão, à meia luz, temperatura amena, paisagem convidativa, música baixa, com confusão de colheres e coisas caindo no chão - de um inundar de alma.

Gosto da cozinha, apesar de frequentá-la pouco, e a receita de amizade será reproduzida, exatamente como me foi passada:

"Lourdes,
Quando tô chateada gosto de ir pra cozinha me distrair. Hoje fiz uma receita que ficou muito boa! Quando eu for pra GYN vou cozinhar pra vc. Mas, antes disso, faz porque vc vai gostar.

É fidelinho com molho de abobrinha. 

Frita uns pedacinhos de bacon, depois coloca tomates picadinhos, sem pele e sementes, na panela. Daí, quando tiver um molho grosso, coloca uma abobrinha ralada (não rale o miolo, não, só a parte de fora...depois, é claro, de raspar a casca!). Tampe e deixe uns minutos, até cozinhar a abobrinha. Depois, acrescente um pote de requeijão cremoso e cebolinha verde. E misture com o macarrão de sua preferência (o fidelinho fica melhor).

Pode acreditar, fica bom de verdade! Faz e depois me conta o resultado. Pelo menos vc vai se distrair.
Bjo"

Não poderia haver receita melhor de amizade e atenção. Não poderia haver melhor intenção e pureza nisso. Farei a receita (posso evitar o bacon, Mari?) e a cada nuance de cheiro me lembrarei da graça de tê-la como amiga. Graça, em todos os sentidos!








































































quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu, de bengalas

"Caminhos

Tem sempre presente
que a pele se enruga,
o cabelo se torna branco,
que os dias se convertem em anos,
mas o mais importante não muda!
Tua força interior e tuas convicções não têm idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada triunfo, há outro desafio.
Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.
Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amareladas.
Continua, apesar de todos esperarem que abandones.
Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.
Faz com que em lugar de pena, te respeitem.
Quando pelos anos não consigas correr, trota.
Quando não possas trotar, caminha.
Quando não possas caminhar, usa bengala.
Mas nunca te detenhas!"

Madre Tereza de Calcutá


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Visitando Belém

 
Não é uma história sobre Belém de Jesus, Cisjordânia – “Casa da Carne” – , até porque a casa é de peixe, muito peixe. Mas Jesus tem muito a ver com isso tudo.

Não conhecia o norte do país. Não posso dizer que o conheço ainda, mas um pedaço dele se eternizou em mim. A ida a essa Belém (“o melhor lugar do mundo para a Ludmila”, diz um colega) foi mais que esperada e desejada, há muito. O sonho ficou suspenso e até esquecido. Por um bom tempo, verdade, deixou de ser sonho.

Voltei a pensá-la.

Belém de vastos rios que, de tão grandes, mares. Das praças banhadas, do picolé Cairu, da tapioca com coco ralado grosso, real. Das calçadas por fazer, dos entulhos de construção jogados por toda parte – esses, sim, feitos, paisagem obrigatória da cidade. Das Docas que fazem a música flutuar teto afora, do Ver o Peso que somente de longe vi.

De onde se misturam, no mesmo espaço territorial, ricos e pobres, com a costumeira separação. Otimismo demais pensar que não. 

Belém da chuva da tarde, de não mais que uma hora, suficiente pra avultar a espera.

Belém das mangueiras que sequer percebi. Estava ofuscada pela minha própria mira, por demais direcionada. Experimentei e vivi. Estudei. Estudaram-me. Deixei-me viver. Chorei. Desisti por segundos. Desisti novamente – de desistir. E vi a Belém de pessoas e as amei. Visão minha que prescinde das demais.

Quisera eu ter o poder de fazer e desfazer, dispor e indispor. Possível, mas não quando se ama. ‘Quisera eu’... Apenas visitei a minha alma, pra que pudesse estar com a minha maior aliada: eu mesma.

Sinto o gosto de coisas das quais me sinto parte. Gosto de coisa uníssona, na confusão e beleza do plural. De poder distinguir o que difere o impossível do possível – determinação, doação. Coisas de quem esteja começando a se preocupar em amar com mais qualidade. Espero, um dia.


 Blog Olhares. Foto Ney Marcondes.

"Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia... O triunfo pertence a quem se atreve". Charles Chaplin


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Zerando?

 

Então é que anteontem notei que as palavras muitas vezes passam despercebidas pelo seu uso rotineiro ou pela falta de profundidade a elas dispensada. Mas vindas de quem nos ama, o peso é outro e faz pensar. E como também pretendo 'amar de verdade' um dia (o que significa, entre outras coisas, compreender e ser compreendida), tudo sobre o tema tem peso, até o vazio e o zero. Aliás, principalmente isso. 
"Vamos zerar?". De fato o ‘zero’ parece ser um bom (re)começo. É assim na ordem dos números, na ordem biológica, quando somos – ou nem somos – e passamos a ser. Do zero à massa disforme. Também é assim na ordem da teoria criacionista, da qual compactuo. “No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia. E o mundo se fez” (Gênesis, 1:3). Mas na vida que já exsurge lá de trás e inevitavelmente vai – adiante, quero dizer, pois o tema aqui não é morte, mas vida - não é assim

A ideia é boa, como num jogo de videogame, um simulador de vida. O objetivo é atingir as metas propostas – sucesso, carreira, o grande amor, a família ‘perfeita’. Não dando certo, zera-se. Cria-se outra vida para fazer o que quiser com ela. E como no jogo virtual, há os que se projetam na vida virtual. Nela tudo é possível, a conquista fácil, o esquecimento do passado, o estalar de dedos, os sonhos impossíveis, o abandonar de tudo, a aparição imediata do paraíso, sem construção. Construir não cabe nesse mundo imaginário, mas é necessário do mundo real. E eu vivo nele, com alguma pitada de virtual possível, que é pra não perder o foco sem deixar de pretender.

E voltando à necessidade de aprender a amar, a ideia de zerar é de certa forma sufocante, pois reflete a angústia por vezes colocada em uma lente de aumento ante a nossa incapacidade de compreender que a vida não começa agora, ainda que queiramos. A marcha-ré que tentamos impor à nossa história não zera o tempo, apenas o retoma de algum ponto para que caibamos no mundo e ele em nós. 

Retomemos, então. Recomeçar, sim, de algum ponto em nós, com o pouco que temos ou o muito de sensações e experiências. Reinventar, segundo Lispector. Reconstruir, idem.  Readaptar. Vida nova a partir do repensar e refazer da velha, com o aprendizado fruto da nossa história. Zerar, nesse mundo... dá não. Partir para o novo, sim. Em companhia? coisa ainda melhor.

Só há um ponto fixo: A nossa própria insuficiência. 
E daí é que precisamos partir.
Franz Kafka
 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Transgressões


O conceito de transgressão ganha contornos em um mundo onde não há, aparentemente, espaço para os riscos. Difícil a medida entre arriscar-se inutilmente e arriscar-se necessariamente. Depende da nossa história, da nossa zona de conforto, ainda que não seja tão confortável assim. Não nos damos conta da nossa morte, estando aparentemente vivos. Arriscar-se ao sim e, às vezes, ao não. O outro conta muito, quando se arrisca a dois; os propósitos também, e a balança.

Sobre o tema, deixo-o pra Lya. As críticas são muitas: "simplista com as palavras". Mas os destinatários da autora também são simples, como eu, e complexos, ao mesmo tempo. Pensadora da própria vida e da vida em geral, mas se distancia da filosofia, de fato. É acessível, direta. Chama à realidade. Abro um espaço para um de seus textos, que calha com o meu momento, com a necessária inquietação.
Bem-vinda, Lya-Luft.

PENSAR É TRANSGREDIR

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.

Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"

O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.

Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.

Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. 

Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.

Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.

Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.

Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.

Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

domingo, 5 de setembro de 2010

Meu Mundo e Nada Mais


Diz-se muito que “quando não se vai pelo amor, vai-se pela dor”. Já aceitei o fato de que sou uma pessoa que sente as duas coisas sempre, e vou pelos dois. Só assim descubro, mudo, reformulo, junto os restos.  

A música, de uma forma geral (mais que os filmes), faz latejar em mim essa reflexão sobre amor e dor  que caracteriza a vida da maioria das pessoas. Algumas dão a sensação de que o compositor invadiu a sua casa, fuçou nas suas coisas, tirou uma ‘chapa’ do seu peito e fez a obra sobre o seu momento de vida.

__  “Puxa, por que não fui eu quem escreveu isso?” 

Porque não tenho a capacidade de musicar e letrar a vida em versos, apenas de senti-la, cantá-la e arriscar-me na prosa. 

O Guilherme Arantes tem. Ele é um desses que entram na vida das pessoas e musicam os sentimentos, fazendo parecer que esteve ali, dentro de nós, segundos antes.

A música a seguir é uma das minhas chapas de raio-x da hora. Como todo exame perde a validade em 3 meses, vejamos se daqui a 3 ainda estarei para Guilherme ou para Baleiro. Hoje, porém, tudo em mim é G.A., e essa uma noite à meia-noite, à meia-luz, pensando em como ser mais livre, como ser capaz de enxergar um novo dia... Vale a pena amar e sentir dor com tal cereja musical, que divido com vocês.
Quando eu fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia...

Só sobraram restos
Que eu não esqueci
Toda aquela paz que eu tinha...

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo, estou  mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando...
Daria tudo, por um modo de esquecer...

Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando....
Daria tudo, por meu mundo e nada mais...

Não estou bem certo
Que ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura...

Como ser mais livre
Como ser capaz
De enxergar um novo dia...

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo, estou  mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando...
Daria tudo, por um modo de esquecer...

Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando....
Daria tudo, por meu mundo e nada mais...

sábado, 28 de agosto de 2010

Ela É Ele


Não está errado. O título do post é  "Ela  É  (do verbo  ser) Ele". 

Dizem que esse médico de Goiânia não erra. É dizê-lo Deus, mas eu acreditei. Não irei expô-lo, afinal, faço mea culpa.

___ 80% . Quer saber?
___ Quero. [eis a mea culpa]
___ Menina.
___ (!!!!!)

Mais de um mês me acostumando com a ideia, reformulando as expectativas, baixando arquivos de quartos lilás, medindo o espaço do guarda-roupas do quarto em obras e pensando em como trançar um cabelo, afinal, não me imaginava mãe de menina. Já havia externado esse medo por aqui.

___ Eu te disse daquela vez o sexo?
___ Indicou 80% de chance, mas não vou lembrá-lo qual.
___ 80%?  Eu disse menino, né?

Silêncio. Samuel me olha. Minha mãe congela. Tento quebrar o clima:

___ Menino?
___ Sim, um garotão. Não foi isso que eu disse da outra vez?
___ Não! Você disse menina!
___ Erramos....
___ Erramos não. Você errou! [pesei o clima]
___ É, errei.

Samuel se recusa:

___ Tem certeza? Eu tenho um amigo, o Danilo, que nasceu homem e era pra ser mulher. Só na hora de nascer é que viu que era homem (criança adora contar histórias nomeando o amigo ou a menina vizinha do primo que um dia teve uma cachorra que nasceu com uma verruga gigante que, na verdade, era um umbigo e que de dentro saía um bicho enorme, branco, com uma gosma amarela ................). Será que não é a posição aí que tá fazendo achar que é homem?

___ Samuel,  é Samuel, né?
___ Anham...
___ Então, Samuel, isso aqui [aponta na tela do monitor] é pinto. Isso é pinto!

Minha mãe arremata, já desolada, atingida pelo golpe mortal:

___ Tá bom, gente... o importante é que venha com saúde....
(A frase não poderia retratar melhor a frustração).

Eu sorria, desconcertada.

A casa está em obras. Eu estou em obras. Minha cabeça e meu corpo estão em obras, quem sabe de Deus.

O quarto que seria dela é dele, sempre foi. E tudo mais, daqui pra frente.

Estou te esperando, meninão!  


(E como diria um colega de trabalho, ao saber da odisseia do sexo do meu bebê, "é melhor mudar de sexo enquanto está dentro da barriga. Depois que sai, é bem mais triste". HTCF)
 


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Fé em Deus, pé na tábua


Sou cristã. Essa declaração é necessária, já de cara, sem medo, sem vergonha. "Nossa... uma moça tão inteligente, estudada, viajada, esclarecida...". Isso mesmo. Sou cristã por tudo isso que dizem de mim e por muito mais. E sou pecadora. Erro 'demaaaaaais da conta', como dizem os da minha terra. Sou cristã por convicção e experimentos diversos com Deus, e não por uma necessidade do ser humano em acreditar em alguma coisa para que a vida e as dores façam algum sentido.

Sou cristã pela graça de sentir o perdão e o apoio diário de Jesus em minha vida, apesar de mim. Ainda que se discorra e faça algum sentido lógico de que o homem é quem teria criado Deus, e não o contrário, essa lógica, pra mim, cada vez mais cede lugar à pessoalidade que tenho com Deus. E sou cristã também em razão dessa mesma lógica. 

Aos meus amados amigos, familiares e colegas cristãos - e aos ainda mais amados amigos, familiares e colegas não cristãos - posto essa série de textos de fé na página FÉ EM DEUS, PÉ NA TÁBUA (coluna direita do blog), todos com embasamento bíblico, que muito têm significado e ressignificado a minha vida, diariamente. Eu os leio e os releio. Sinto a renovação, a esperança. Sinto Deus em minha vida ontem e hoje e agora. Espero que cada amigo leitor também O sinta.