Sou cristã. Essa declaração é necessária, já de cara, sem medo, sem vergonha. "Nossa... uma moça tão inteligente, estudada, viajada, esclarecida...". Isso mesmo. Sou cristã por tudo isso que dizem de mim e por muito mais. E sou pecadora. Erro 'demaaaaaais da conta', como dizem os da minha terra. Sou cristã por convicção e experimentos diversos com Deus, e não por uma necessidade do ser humano em acreditar em alguma coisa para que a vida e as dores façam algum sentido.
Sou cristã pela graça de sentir o perdão e o apoio diário de Jesus em minha vida, apesar de mim. Ainda que se discorra e faça algum sentido lógico de que o homem é quem teria criado Deus, e não o contrário, essa lógica, pra mim, cada vez mais cede lugar à pessoalidade que tenho com Deus. E sou cristã também em razão dessa mesma lógica.
Aos meus amados amigos, familiares e colegas cristãos - e aos ainda mais amados amigos, familiares e colegas não cristãos - posto essa série de textos de fé na página FÉ EM DEUS, PÉ NA TÁBUA (coluna direita do blog), todos com embasamento bíblico, que muito têm significado e ressignificado a minha vida, diariamente. Eu os leio e os releio. Sinto a renovação, a esperança. Sinto Deus em minha vida ontem e hoje e agora. Espero que cada amigo leitor também O sinta.
O sexo ainda é incerto. Pelas características – dois risquinhos ali, apesar da protuberância aqui, que pode ser um pipiu ou um miniclitóris – o bebê seria uma garotinha. Já andei dizendo por aí que talvez não saiba ser mãe de menina: maria-chiquinha no cabelo, colarzinho, milhares de pulseirinhas coloridas (verde-limão inclusive? precisa?), as cores-de-rosa, o desembaraçar de cabelos, que, com certeza, será liso... o amor me ensinará a fazer tudo isso e o sorrisinho irá compensar o rosa-choque e o verde-limão, se ele for ela.
Parte II – a música
A música do Vander Lee – eu também não o conhecia – num primeiro momento me remeteu ao amor interrompido. Após, à renovação, ‘ao poema que acenou pra inventar um outro amor’, o amor chamado pela sede, revelado pela noite. O amor vivido por ‘eu e ela’. Eu e a sede. Eu e a noite. Eu e a minha criança.
Aqui está esse belo poema que me surpreendeu pela simplicidade e beleza.
Interessante como tudo se ressignifica a partir de um mero acontecimento, não tão estreme assim, verdade.
O centro de Goiânia nunca foi meu forte. Quarteirões populosos voltados para compras e sem estacionamento em geral passam longe de mim, a menos que tenham charme, e isso eu nunca consegui enxergar no centro da cidade. De fato, ele não é charmoso, é mais.
Comecei essa descoberta acidentalmente, quando me propus a revisar a brilhante dissertação de mestrado de uma amiga (ou a dissertação de mestrado de uma brilhante amiga, porque uma coisa redunda na outra). Minha deformidade profissional não me deixava enxergar além do patrimônio art decó do centrão apavorante, moldado em cimento e traços. Era só isso que via e protegia.
A história do centro planejado da cidade, outrora elitista e concebido para tanto, se choca e entrelaça com a história da vizinha Vila Nova e do Leste Universitário, bairros emergidos da dinâmica dos que construíram a cena principal e à margem dela viveram por um tempo.
As relações sociais eram bem ilustradas por essa cena aqui: na rua 8, homens de um lado e mulheres do outro. Todos filhos ou amigos dos filhos dos coronéis, políticos e outras pessoas influentes da época, gente finíssima... Elas desfilavam de uma ponta a outra. Eles observavam e escolhiam. Quase um mercado, mas há quem diga e acredite que isso era bem excitante. Meus pais, por exemplo.
Mas o centro hoje pertence aos goianienses que não desistiram dele e o transformaram na representação viva da cidade. A lealdade e bravura dos que ali vivem em meio a buzinas, fumaça e metrobus impressionam. A atratividade democrática do lugar ainda abriga a memória elitista da capital e simultaneamente proporciona a satisfação da necessidade dos que cobrem a família com 5 peças de roupa por 20 contos. Onde mais nessa cidade pode-se conviver com prédios históricos, estilo arquitetônico marcante, camelódromos, pastel frito na hora, lojas de departamento e eletrodomésticos, raízes de tudo quanto há, farinha de mandioca, polvilho, busão, pessoas interessantes e sebos?
Pessoas interessantes e sebos. Foi aí que vi que já tinha observado o centro antes.
__ Moro em frente aos sebos da Rua 4.
__ Sei onde é!
Um monte de gente se queixa de que quando fica 'pobre', os 'amigos' somem; fez besteira? acusação. Está frágil, crítica dos colegas. Comigo tem sido diferente. Estou pobre, besta, frágil, imprestável e há quem me queira por perto, sempre, de todas as formas, gratuitamente.
É o caso dessa criatura aqui, que me mandou esse poema lindo da Cecília Meireles. Obrigada, Márcia. Quero ser pobre, besta, frágil, imprestável, desde que eu tenha a oportunidade de fazer parte da sua caminhada e você da minha. Só assim, ao lado desses adoráveis loucos, é que sou capaz de reinventar a vida.
Reinvenção
A vida só é possível reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas. . .
Ah! Tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... – mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcança...
Só - no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.
Só - na trevas fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vida engraçada, inesperada. Depois de muito vai-e-vem, decidi e, finalmente, consegui sair da toca ontem. Contra todas as expectativas, a noite dos namorados foi perfeita. O Roupa Nova - ao vivo - ajudou bastante para escrever essa coisa simples aqui.
"A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa entender que um amor de verdade
É feito canção, qualquer coisa assim
Que tem seu começo, seu meio, seu fim
A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção
Que fale de amor, que faça chorar
Que toque mais forte esse meu coração...
Ah, coração se apronta pra recomeçar
Ah, coração e esquece esse medo de amar de novo".
A roupa de hoje não é nova. O sapato também não. O coração, esse sim, se aprontando pra recomeçar.
Feliz dia dos namorados aos que se dedicam à difícil e prazerosa tarefa de amar.
“Apaixonar-se. Casar-se. Ter um filho. Não necessariamente nessa ordem.”
A frase se remete a um filme lançado esta semana nos cinemas de todo o mundo – Plano B (The Back-up Plan) – mas essa ‘desordem’ das coisas vai além da ficção. A vida real também prega essas peças e nós damos uma mãozinha.
Diante dessa inversão, nos vemos perdidos. Não estamos preparados para outros rumos, por mais que nos autodenominemos de 'modernos' e 'adaptáveis'. Fomos culturalmente adestrados para a ordem, inquestionável ordem. Somos treinados para o desconfigurável e só assim sabemos viver. O que foge disso traz confusão, covardia, choro; desespero; rejeição.
Mas a desordem vem, uma hora ou outra, e se não a enfrentamos, nos negamos - deliberadamente - a crescer. A principal descoberta nesse caos aparente é a de que também somos conduzidos pelas nossas vidas, e não o contrário. Somos só parte dela e do que está em volta. Estamos apenas no meio da correnteza. Não somos o rio. E, contraditoriamente, é exatamente aí que temos de decidir pegar o remo, reconduzir, nos posicionar, refazer.
A ordem das coisas inicialmente programada - o Plano A - e os anos de expectativas e projetos são invertidos ou mesmo dissipados. De um segundo ao outro a ordem é: reprograme-se. Mas temos os nossos ao nosso lado. Temos Ele, Deus. E nos damos conta de que há outras vogais e consoantes para os planos da nossa vida: Plano C, de Capacidade e Coragem; o Plano M, de Maturidade, o Plano D, de Determinação e Dom de reinventar, girar, gerar.
Temos os nossos planos. Deus tem o Dele. No final, 'dará tudo certo' (diz uma amiga), no filme e na vida real, porque 'a vida não é norma, a vida é vida'.
Ando muito chique ultimamente. Twitto com a Ana Cañas! E ela mesma nos mandou o link para acesso ao vídeo oficial de "Pra você guardei o amor". A música doa e esbanja amor, sem reservas. E já é pedaço de um pedaço de mim.
Poucas pessoas sabem dar de si. As mesmas poucas sabem se querer de vez. E ficam 'sós, laçadas em dois nós'. Sem cantar e contar o outro. Sem se rimar no colo. Sem vencer a vida. A música diz tudo sobre esse momento. Desfaçamos os nós.
"
E nós que nem sabemos quanto nos queremos
Que nem sabemos tudo que queremos
Como é difícil o desejo de amar
Você que nem me soube quanto eu quis
Que não coube, não me viu raiz
Nascendo, crescendo nos terrenos seus
Eu da janela olhando a lua, perguntando à lua
Onde você foi amar?
E nós que nem soubemos nos querer de vez
Estamos sós, laçados em dois nós
Um que é meu beijo o outro é o lábio seu
Não sei sair cantando sem contar você
Que eu sei cantar, mas conto com você
Que eu vou seguir, mas vou seguir você
Queria que assim sabendo se a gente se quer
Queria me rimar no seu colo, mulher
Vencer a vida donde ela vier
Ganhar seu
Chegar no chegar meu
Dar de mim o homem que é seu... " (Celso Adolfo)
“E se o amor tivesse uma cor, seria a sua
Se fosse branca a cor, seria a mais bela das luas’. Ana Carolina
A emoção de amar (? - achar que se ama)faz nascer frases como estas. Ou seria “a sensação de amar”? ou “o sentimento de amar?” Tanto faz. Sou dada às emoções, às sensações e aos sentimentos.
A tentativa de conceituar amor, pra mim, é ingênua. Diferenciá-lo de paixão, então, coisa mais besta ainda. Sentimento, sensação, emoção, êxtase, delírio, euforia? Efêmero, duradouro, calmo, intenso? Paz, ansiedade, harmonia, tristeza, realização, frustração, vulnerabilidade, projetos, capricho, inconsciência, leveza, dor, razão, refazimento. Proteção, legado, ilusão, realidade. Amor ou paixão? F...it!
A diferença só existe do ponto de vista fisiológico ou antropomórfico que só interessa aos estudiosos dos comportamentos romântico-afetivos. Não sou uma estudiosa do amor/paixão, sou uma vivente.
A “sensação” inebriante provocada por descargas bioquímicas com consequente produção de feniletilamina, blá, blá, blá, chamadas exclusivamente de ‘paixão’, podem ser traduzidas por mim, assim: “que coisa boa!”. Tempos depois: “que paz!" E se for o caso: “que merda, mas obrigada. Estou viva!”
“Nesse período, pouco importa a personalidade de cada um, caem as defesas, o raciocínio temporariamente suprimido para muitas análises no que se refere ao outro se torna oblíquo e viesado, hiperdimensionando suas qualidades e subestimando suas falhas” .
A explicação sobre a ‘fase da paixão’ é da antropóloga da Universidade Rutgers e autora do livro “Anatomia do amor”, Helen Fisher (ah, cara Helen Fisher, você não sabe, mas nós duas temos uma história...), que demonstrou que os sintomas provocados por ela - paixão -, como a euforia, a falta de sono, ou ainda, de apetite, estão associados a altos níveis de dopamina e norepinefrina, estimulantes naturais do cérebro. A doutora advoga ainda a tese de que o amor pode estar não-associado à procriação. Dessa forma, os homens passaram realmente a amar as mulheres, não como mera reprodutoras, e algumas destas passaram a olhar os homens como algo mais além de provedores para o sustente de si mesmas e de suas proles. Boa, Helen!
O amor, por outro lado, diz ser associado com a sensação de calmaria, harmonia, segurança, ausência de rompantes de emoção, cotidiano, organização... Quem quer isso sempre? Quem consegue ser feliz assim sempre?
Fato é que tendo a sentir. Já senti amor por um dia. E já me apaixonei por 5 anos (de forma iludida, muito iludida e arrependida, é verdade), mas contrariando a teoria de que dificilmente a paixão dura mais que 24 meses e de que o amor é fruto do tempo. Sou apaixonada pela mesma criatura há 13 e serei para sempre (mas filho não vale; ok. Por que não vale?). Tenho buscado amar há pouco mais de 38 anos - amigos, pais, irmãos, pessoas e uma pessoa que espero um dia encontrar -, hiperdimensionando qualidades e tentando subestimar falhas. E a busca por amar já não seria amor?
E dizem que o equilíbrio é o segredo de tudo. Não. O segredo é a determinação. E estar feliz com alguém envolve basicamente isso. E envolve as afinidades, mas me atraio pelas boas diferenças (isso exclui música sertaneja e axé). Encanto-me com a alegria e reflito com o choro. Fico eufórica com as expectativas e me acalmo com os projetos realizados. Gosto de rir sozinha. Melhor a dois. Divergir, afastar e fazer as pazes com a consciência da melhora, idem. Recuar quando avançar não depende só de mim: praxe. Amor? Paixão?
“Eu gosto dos que têm fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem”.Boa, Calcanhoto!
Mulher, menina, mãe do Samuel e do Luca, romântica, objetiva, ambientalista, jurista, cantora, revisora de texto, jogadora de truco e de ping-pong, gateira, bebedora de vinho e de café, passista, manicure.