Quando a palavra escrita fala mais



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Eu a respeito, Helen Fischer, mas vou de Calcanhoto.

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“E se o amor tivesse uma cor, seria a sua
Se fosse branca a cor, seria a mais bela das luas’
Ana Carolina

A emoção de amar (? - achar que se ama)faz nascer frases como estas. Ou seria “a sensação de amar”? ou “o  sentimento de amar?” Tanto faz. Sou dada às emoções, às sensações e aos sentimentos.

A tentativa de conceituar amor, pra mim, é ingênua. Diferenciá-lo de paixão, então, coisa mais besta ainda. Sentimento, sensação, emoção, êxtase, delírio, euforia? Efêmero, duradouro, calmo, intenso? Paz, ansiedade, harmonia, tristeza, realização, frustração, vulnerabilidade, projetos, capricho, inconsciência, leveza, dor, razão, refazimento. Proteção, legado, ilusão, realidade. Amor ou paixão? F...it!   

A diferença só existe do ponto de vista fisiológico ou antropomórfico que só interessa aos estudiosos dos comportamentos romântico-afetivos. Não sou uma estudiosa do amor/paixão, sou uma vivente.

A “sensação” inebriante provocada por descargas bioquímicas com consequente produção de feniletilamina, blá, blá, blá, chamadas exclusivamente de ‘paixão’, podem ser traduzidas por mim, assim: “que coisa boa!”. Tempos depois: “que paz!" E se for o caso: “que merda, mas obrigada. Estou viva!”

“Nesse período, pouco importa a personalidade de cada um, caem as defesas, o raciocínio temporariamente suprimido para muitas análises no que se refere ao outro se torna oblíquo e viesado, hiperdimensionando suas qualidades e subestimando suas falhas” .

A explicação sobre a ‘fase da paixão’ é da antropóloga da Universidade Rutgers e autora do livro “Anatomia do amor”, Helen Fisher (ah, cara Helen Fisher, você não sabe, mas nós duas temos uma história...), que demonstrou que os sintomas provocados por ela - paixão -, como a euforia, a falta de sono, ou ainda, de apetite, estão associados a altos níveis de dopamina e norepinefrina, estimulantes naturais do cérebro. A doutora advoga ainda a tese de que o amor pode estar não-associado à procriação. Dessa forma, os homens passaram realmente a amar as mulheres, não como mera reprodutoras, e algumas destas passaram a olhar os homens como algo mais além de provedores para o sustente de si mesmas e de suas proles.  Boa, Helen!
 
O amor, por outro lado, diz ser associado com a sensação de calmaria, harmonia, segurança, ausência de rompantes de emoção, cotidiano, organização... Quem quer isso sempre? Quem consegue ser feliz assim sempre?

Fato é que tendo a sentir. Já senti amor por um dia. E já me apaixonei por 5 anos (de forma iludida, muito iludida e arrependida, é verdade), mas contrariando a teoria de que dificilmente a paixão dura mais que 24 meses e de que o amor é fruto do tempo. Sou apaixonada pela mesma criatura há 13 e serei para sempre (mas filho não vale; ok. Por que não vale?). Tenho buscado amar há pouco mais de 38 anos - amigos, pais, irmãos, pessoas e uma pessoa que espero um dia encontrar -, hiperdimensionando qualidades e tentando subestimar falhas. E a busca por amar já não seria amor?

E dizem que o equilíbrio é o segredo de tudo. Não. O segredo é a determinação. E estar feliz com alguém envolve basicamente isso. E envolve as afinidades, mas me atraio pelas boas diferenças (isso exclui música sertaneja e axé). Encanto-me com a alegria e reflito com o choro. Fico eufórica com as expectativas e me acalmo com os projetos realizados. Gosto de rir sozinha. Melhor a dois. Divergir, afastar e fazer as pazes com a consciência da melhora, idem. Recuar quando avançar não depende só de mim: praxe. Amor? Paixão?

Eu gosto dos que têm fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo, dos que ardem”. Boa, Calcanhoto!


2 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Mila... Texto maravilhoso! Pôxa, fiquei até com vergonha dos meus que você tanto elogiou (risos)... O assunto também é super-interessante e dá oportuninade para muita, muita discussão... Parabéns pelos argumentos sólidos, convincentes e equilibrados... Um grande abraço!

Ludmila Déroulède disse...

Nossa, Geraldo! Sou eu quem estou sem-graça agora. Vindos de você os elogios, meu Deus, fico ainda mais estimulada, a escrever e a amar. Confesso que no último mês tenho escrito mais sobre isso (meus sentimentos românticos, em especial pelo namorado, que, aliás, não são positivos 24h por dia).

Mas o melhor de tudo, ao falar dessas coisas, é que nos analisamos um pouco. Ao elaborar as frases, as palavras, os conceitos, começamos a questionar algumas coisas dentro da gente, ali, na hora mesmo, e entendemos alguns sentimentos. Por exemplo, eu não imaginava que gostasse tanto da 'minha Janete' assim..rsrs...(minha Janete se chama Paulo André).

Criei o blog pra isso mesmo, para me analisar, me entender, questionar, como se fosse um diário (ou um semanário) ou uma terapia, em que eu pudesse me expressar com alguma ordem linguística, mas sem comprometer minhas verdadeiras emoções.

Mas não gosto de ficar muito tempo falando do meu amor romântico, por isso, logo, logo quero voltar aos textos sobre o dia-a-dia, as banalidades, a minha paixão pela música, o meu filho e outras curiosidades.

Esse momento, contudo, é da minha Janete agora... fazer o quê...rsrs

abração!