Quando a palavra escrita fala mais



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Entre a Consolação e a Augusta



Atrevimento meu escrever sobre uma cidade que tão pouco conheço – se é que se pode dizer conhecê-la minimamente –, mas numa São Paulo de tantas, a minha singela versão sobre a democrática megacidade, credenciada pela própria experiência, não seria tão atrevida assim. Acrescentar relatos a ela seria redundância, mas desenhar as minhas  próprias vivências e sentimentos ali, não, ainda que em 30 linhas.

O roteiro seria quase todo cumprido. Não nos culpemos por querer ficar mais meia horinha na cama no dia seguinte à chegada tardia no hotel e após a inesperada experiência notívaga de um restaurante ao qual se paga 65 reais na noite bem servida. Quem quiser experimentar o estabelecimento comercial em questão - “Sujinho” - não tardará em concordar comigo.

Atraída pelas inúmeras possibilidades da cidade, difícil pretender-se tanto em pouco tempo. No quadrilátero da Estação da Luz, a Pinacoteca e o MLP encantam; ela mais; ele, com a precisão e ternura de seus escritos e tecnologia interativa, torna tudo mais verossímil. Até mesmo o verde e flores do Parque ao lado, agarrados à vizinhança de esqueletos de concreto e aço dessa cidade de excessos e contrastes, parecem inusitados. Imagens fortes e entrelaçadas que nos pegam de surpresa, em um momento despretensioso, em que 'só' se intencionava tomar um café.

Dispenso o Bom Retiro, 'bom' para eles, 'retiro' para mim. Quantos reais retirados mesmo? Esquece, meu! 

A imperativa ida ao Mercado Municipal, alimentada por esta apaixonada por cozinha, cheiros, sabores e 'alguma' cerveja, revelou-se graciosa. E foi andando em meio aos ameaçadores camarões que, em busca de um presente para o estômago, veio a surpresa não só com o famoso sanduíche de chouriço, mas com o arrebatador Henrique do licor, da pinga e do mapa, desenhado ali mesmo.

Após o riso incontido da noite que se seguiu, do carpaccio (desta vez cru! vejam só!), dos drinks espanhóis, do pedaço de pizza do Pedaço de Pizza (tudo indicação do Henrique) e da calmaria das instigadoras e emocionantes obras do MASP - que nos proporcionam a colheita de uma dose diária de esperança e nos convidam a vencer os obstáculos apresentados por essas terras supostamente duras e pela dureza de nossa alma - é que me despedi, até a próxima garoa.


Ouso discordar de alguns.
Existe amor em São Paulo.


 

12 comentários:

Anônimo disse...

Ludmila, SP é um lugar sobre o qual sempre haverá alguma coisa a dizer. Você, a seu incrível modo de se expressar, o disse brilhante e apaixonadamente, pela cidade e pelo seu amor. Inspiradora, viva. Ótimo texto. Roberto Carlos e Viviane.

Ludmila Déroulède disse...

RC e Vivi, saudades de vocês e obrigada pelas palavras. Nessas andanças pelo mundo, espero reencontrá-los em breve. Beijo no casal e nos moleques!

Anônimo disse...

oi garota. garota mesmo, uma menina. o tempo não passa para você ou passa pra te deixar cada vez mais exuberante. incrível isso. abençoado o rapaz poeta da foto (é o borges certo?) homenageado no texto bacana demais. bom te ver amando. vc merece por tudo que és. conheço sao paulo nao mas deu muita vontade. a cidade ficou leve nas tuas palavras. felicidades e que deus abençoe o casal e a todos. Arão (da antiga igreja sua).

Anônimo disse...

QUE SORRISO LINDO TEM ESSA MOÇA.

Ludmila Déroulède disse...

publiquei este último comentário porque é sempre bom saber que o sorriso da gente tem algum valor pra alguém e incentivar que isso seja sempre dito aos quatro cantos. Obrigada...
(p.s.: com identificação seria melhor, mas tudo bem...rs)

Camila Amatha disse...

Enfim, consegui ler!! O texto não aparecia aqui... e QUE BOM que consegui ler, pois eu perderia tão bela descrição da cidade de São Paulo!
Tu arrasas SEMPRE!
Não deixes de escrever nunca e muito menos de descrever tuas idas e vindas, pois divirto-me, encanto-me, emociono-me...e, no fim, sempre fica aquele "gostinho de quero mais"!

Beijos mil!!

Camila Amatha
São Luís - MA

Anônimo disse...

sorriso bonito é pouco, a moça é toda bonita.

Anônimo disse...
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Ludmila Déroulède disse...

Camila, anônimo 2 e Marco: só agora vi as mensagens e, como sugerido pelo amigo sulista, ok, aceitarei toda ordem de gentilezas de vocês. Preciso mesmo aprender a fazer isso em vez de dizer: "que o quê... para!...".

E, sim, tenho celulites, Marco, ainda que pesando 51 kg. É o tipo de coisa que só se cura com academia, muita ingestão de água, drenagem e nascendo de novo e, sinceramente, não tenho tido tempo nem para a água, quanto mais para nascer de novo (o que, aliás, seria muita sacanagem...viver uma só vez já é bem difícil).

Bj a todos e prometo mais leveza e vida no próximo post.

Milena disse...
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Ludmila Déroulède disse...
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Silvia disse...

Lulu, espero que o comentário não seja tão tardio!! É muito bom dar uma escapada de final de semana chique dessas não é?. Muito bom o txto, simples e rico como você.

Foi maravilhoso te encontrar ontem. Você tá linda! só fiquei dizendo ontem que está muito magra e acho que não foi legal isso... desculpa amiga.

(um saco essas letrinhas para publicar o comentário. 4 tentativas. "Jisuius")
Na verdade tenho inveja. Como uma mulher de 40 anos consegue ser tão charmosa, inteligente, linda e ter esse barriga chapada sem malhar? vai a merda! Só quero que esse corpitcho fique assim pela genética e não por dor, tá amiga? Eu te amo demais! Por favor, conte comigo sempre, estou aqui.