Quando a palavra escrita fala mais



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dois filhos, duas mães


A mensagem sms que acabo de receber reclamou que eu finalmente voltasse a me sentar nesta cadeira.
Eu já sabia do significado de se homenagear mães – não as que parem, mas as que amam – no dia das mães. Sabia porque era mãe, mas agora sou renascida.
Meu 14º dia das mães teve um significado diferente, assim como ser mãe novamente ressignificou tudo. Diziam-me ser assim, mas não compreendia suficientemente a dimensão. Apenas fui otimista até então e agora sou surpreendida.
A oportunidade que Samuel e Luca me dão todos os dias de ser alguém melhor credita a eles, tão-somente a eles, toda a dádiva de eu ter-lhes dado a luz, quando na verdade a escuridão era minha.
E é aí que me vejo neste momento sem entender o porquê de ser homenageada. Discordo de Drummond (ouso): é filho que, na sua graça, é eternidade.
É o Samuel que, na sua dificuldade, concede-me a oportunidade de ajudá-lo na redação escolar. É o Luca que, na sua bondade, dá-me seus pequenos lábios em meu seio e me alimenta. É aquele quem, à meia-noite, me oferece a ocasião para que eu o busque em uma festa em que se encantou por uma menina e alegra-me com o seu crescimento e com a sua adolescência sadia, dando-me a chance de vê-lo crescer a meu lado. É o pequenino que me oportuniza vê-lo 3, 4 vezes durante a madrugada, além do dia todo. Para ele seria mais fácil, mais cômodo e mais saudável dormir, mas gentilmente espreguiça com os dois bracinhos, abre os olhos e com um sorriso responde a quase um apelo silencioso: “sorria pra mim, meu bebê”. É o mais velho quem me presenteia ao chegar suado com 2 gols feitos pra mim. E é o branquelinho quem permite com que eu o beije e o cheire várias e várias vezes seguidas sem reclamar da minha carência por sua pele macia.
São os dois que, com total despretensão, dão-me a graça de ocupar toda a minha cama e fazer-me pensar, neste exato momento, onde entrarei ali para passar a noite.
Se sou uma mãe minimamente afetuosa e uma pessoa um pouco melhor, devo isso a eles.
O sms: “Uma mãe nasce junto com o seu filho, sempre uma pessoa nova, que é diferente da mulher e até da mãe anterior. Mãe do Samuel. Mãe do Luca. Parabéns”.
Obrigada, Verônica, por estar ao meu lado quando me tornei uma pessoa renovada e duas mães, e não a mãe de dois.
Aos meus filhos, feliz dia das mães!

4 comentários:

Eduardo disse...

Ludmila, há algum tempo não nos falamos mas vejo como seu bebê está grandão. Queria tê-los visitado novamente. Posso?
Texto muito bom e amoroso. A homenageada deve ser você mesmo, sem essa, bela. Beijo, Edu.

Eleonora disse...

Lindo o texto, Lud! Realmente, nós somos muito abençoadas por poder aprender e crescer tanto com os filhos!!! bjos, Lê

Ludmila Déroulède disse...

Oi, Eduardo, tudo bem? na verdade conheço dois Eduardos, os dois muito especiais. O colega e o colega..rsrs O colega da área jurídica e o colega músico. Pode me ligar, sim, e me visitar, seja o Edu que for!
abraço, Mila

Ludmila Déroulède disse...

Leo, nunca imaginei (você bem sabe) que a bênção de ter o Luca seria tão plena assim. Agradeço a você por toda a atenção, carinho e força a mim dados durante a gravidez e agora. Amo você!

Aliás, dê um beijo a todas as grávidas do 3º andar.
A Viviane estourou o cano de mulheres grávidas e em apenas 1 ano e meio. Na ordem foi: ela, eu, Ana Flávia, Daniela, Sheila e agora ela novamente. Esqueci-me de alguém? o terceiro andar está abençoado. Cuidado!!!