Não é uma história sobre Belém de Jesus, Cisjordânia – “Casa da Carne” – , até porque a casa é de peixe, muito peixe. Mas Jesus tem muito a ver com isso tudo.
Não conhecia o norte do país. Não posso dizer que o conheço ainda, mas um pedaço dele se eternizou em mim. A ida a essa Belém (“o melhor lugar do mundo para a Ludmila”, diz um colega) foi mais que esperada e desejada, há muito. O sonho ficou suspenso e até esquecido. Por um bom tempo, verdade, deixou de ser sonho.
Voltei a pensá-la.
Belém de vastos rios que, de tão grandes, mares. Das praças banhadas, do picolé Cairu, da tapioca com coco ralado grosso, real. Das calçadas por fazer, dos entulhos de construção jogados por toda parte – esses, sim, feitos, paisagem obrigatória da cidade. Das Docas que fazem a música flutuar teto afora, do Ver o Peso que somente de longe vi.
De onde se misturam, no mesmo espaço territorial, ricos e pobres, com a costumeira separação. Otimismo demais pensar que não.
Belém da chuva da tarde, de não mais que uma hora, suficiente pra avultar a espera.
Belém das mangueiras que sequer percebi. Estava ofuscada pela minha própria mira, por demais direcionada. Experimentei e vivi. Estudei. Estudaram-me. Deixei-me viver. Chorei. Desisti por segundos. Desisti novamente – de desistir. E vi a Belém de pessoas e as amei. Visão minha que prescinde das demais.
Quisera eu ter o poder de fazer e desfazer, dispor e indispor. Possível, mas não quando se ama. ‘Quisera eu’... Apenas visitei a minha alma, pra que pudesse estar com a minha maior aliada: eu mesma.
Sinto o gosto de coisas das quais me sinto parte. Gosto de coisa uníssona, na confusão e beleza do plural. De poder distinguir o que difere o impossível do possível – determinação, doação. Coisas de quem esteja começando a se preocupar em amar com mais qualidade. Espero, um dia.
"Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia... O triunfo pertence a quem se atreve". Charles Chaplin


6 comentários:
Oi Mila. Bom o texto! deu até vontade de conhecer Belém mas sem o 'paraense elétrico' afinal sou espada. Ando visitando o seu blog, como poder ver. risos. Saudade, morena. saudades de Goiânia. Faz um texto de goiânia pra eu matar um pouco dessa saudade. bj Marcos
Lulud, que lindo o texto! A propósito, adoro seus textos (acabo de ler o "Ela é ele" e, pra variar, também adorei!). Um beijo grande, Vi.
Eita, Marcos! Tentarei escrever algo sobre Goiânia. Tenho saído pouco e quando saio a rota é geralmente oriental - restaurantes japoneses e pronto. Desse jeito Goiânia acaba não sendo muito percebida por mim, o que é uma injustiça sem tamanho. Vivemos pouquíssimo da nossa cidade, infelizmente. E essa aqui merece mais da minha paixão. Abraço e quando vier matar as saudades da terrinha, me avise. Lud
Vi? É a Vi-Verônica?? kkkkkkkkkkkk Senti sua falta hoje. Fui ao frigobar, achei uma coca zero e me lembrei de vc! rsrsrsrsrs. Na verdade, o que mais me atraiu no frigo foi um queijo de trança por 'quem' me desesperei; daí, quis muito que o queijo fosse seu pra eu poder devorá-lo. Liguei pra me certificar e você não tinha vindo ao trabalho. Resultado: meu filho nascerá com cara de queijo de trança. Culpa - até agora - sua.
Sou eu sim, a Vi-Verônica! Olha só, a culpa do neném com cara de queijo trança não é minha não, viu? Nem de queijo eu gosto...rsrs...(mentira). Quanto à coca zero, vou ter que reabastecer urgentemente o frigobar...eu não vou ter neném, mas qdo bate, o desejo é o mesmo...Beijos!
Querida Lud, eu estava ansiosa por noticias boas de Belém e que maravilha foi ler esse seu texto! Torço muito por vocês! Te amo!
Goyany
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