Quando a palavra escrita fala mais



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A casa do meu primo

Recife, cidade feliz
Na poesia não se contradiz
Pois vive diariamente com maestria
Não importando se de noite ou de dia
O Recife vive, ama e respira poesia...

(Mercedes Pordeus)


__ Não gosto, acho feia a cidade. É violenta também e fede. Escolhi esse litoral para passear porque meu primo mora aqui.

Foi essa a resposta malcriada – e que mais tarde me traria sério arrependimento – que dei às moças que me perguntaram se eu já conhecia Recife e se gostava dele. Elas, que gentilmente me ajudavam na chegada ao aeroporto dos Guararapes com o carrinho de malas enquanto eu segurava o bebê com um braço e duas bolsas com o outro, decaíram na expressão. Remendei: “ mas isso é o que eu acho; muitos amam a cidade; são de São Paulo? Acho que vão amar”...  ?!??!

A minha experiência vivida com o Recife, 12 anos antes, foi traiçoeira e ingênua à medida que o tempo simplesmente...passa! Passou para a cidade e principalmente para o meu olhar míope. Não que parte desses problemas citados não exista mais, mas as cidades, feitas de gentes, são bem mais que isso.

Viadutos não me impressionam; não sou uma turista voltada à modernidade, muito menos advinda de trânsito caótico. E aí ‘sobram’ as praias próximas à capital, sobram Galinhas e Cabo de Santo Agostinho, sobram – e como sobram – Carneiros; sobra história, sobra cultura e sobram, mais que tudo, os Pernambucanos.

Os sucessivos tapas-na-cara começaram no restaurante, enquanto eu seguia lépida e fagueira em busca da última mesa vazia do Paranóia. “Que bebê lindo”, “bebezinhooo?”, “ô, fofo”, “gracinha”, comentários na pequena trajetória desde a calçada até a mesa, agora menos cobiçada após tanta simpatia que naturalmente me retardou. Mais comentários durante a estada e outros tantos na saída, mas foram eles, os de lá, quem merecem comentários.

Nos dias seguintes vários ‘maridos e pais’ surgiram carregando o bebê e toda a nossa tralha em Carneiros e no city tour. Guias, garçons, vigilantes do bar da praia, gerente: foi um tira-foto, um empurra-carrinho, um vigia-roupas na areia enquanto eu entrava no mar com o bebê, que dormiu sobre o meu peito imediatamente. Não era pra menos, após tanta brisa e alento. Mais emoção, difícil de ser contida com isso aqui: “moça, quer ajuda para por água dentro do barquinho do bebê? ou melhor, perdão... deixa eu ajudar você, por favor”. ‘Deixo’, Valdomiro.

E se por um lado não sou uma turista voltada ao moderno, por outro não sou a típica ‘garota de praia’. Gosto de city tour e de pegar todas as linhas dos tourist bus, formas práticas e eficientes de conhecer os principais cantos da cidade, já que os passeios autônomos são quase sempre direcionados pelo nosso limitado conhecimento e pretensão; gosto de museus, ditos por uns de ‘coisas velhas’; gosto das ladeiras de Olinda, da tapioca da Sé, do forro de filé, de bolo de rolo; do "ti" e do "di", diferentes do meu; e das cores do frevo. Gosto de Luis Gonzaga, de Dominguinhos, de Chico Science, de Alceu e até de Reginaldo Rossi, a meu modo. Amo Lenine, de todos os modos. Gosto de Paulo Freire, do Manuel Bandeira; de Arlete Sales e da brilhante Hermila Guedes. Adoro o Nanini. E amei o Valdomiro, o garçom mais carrancudo e sensível que já conheci.

__ Se gosto do Recife?  Escolhi esse litoral para passear porque meu primo mora aqui. Mas volto em breve, por tantas outras razões.

Na casa do meu primo tem luz do dia às 5 da manhã
Tem Calulu, a calopsita corintiana
Tem cardápio variado, chique e fácil de fazer
Tem a Lu que o executa
Tem brownie
Tem cadeirinha que balança e casinha feita de almofadas de sofá
Tem visita que faz bagunça
Tem mar ao lado, céu azul acima e salão de beleza ao fundo
Tem tapioca no café da manhã e suco de laranja
Tem paella especial em uma noite comum
Tem cama de casal com colcha branca
Tem o primo Fernando, tem a Lorena e tem a mistura deles: a bailarina Manu!
E na casa do meu primo tem Pernambuco, bem na janela...




terça-feira, 26 de julho de 2011

Aos 6 meses eu...


Acordo de vez entre 6:20 e 6:25, religiosamente
Sento-me quase sem qualquer apoio
Arranco os móbiles do meu berço e da minha cadeirinha
Sorrio quando alguém passa
Sorrio para alguém que passa
Falo bebeês
Seguro os meus dois pezinhos ao mesmo tempo
Chupo os dedinhos deles
Dou suspiros, muito suspiros
Adoro colo
Tiro as minhas próprias meias
Tenho dois dentinhos querendo nascer
Passo o dia grudado na minha mãe (ou é ela quem gruda em mim? unhuummm...)
Tomo banho brincando com o livrinho, a bolinha e os bichinhos
Seguro o copinho e bebo água e suco sozinho!
Dou um trabalho danado pra ter a fralda trocada
Adoro ficar pelado
Gosto muito da Pitucha e da Chiara
Dou gargalhadas com barulhos esquisitos
Brinco com chaves e celulares que (ainda) funcionam
Dou os bracinhos e inclino o corpo pra minha mãe me pegar
Choro quando ela passa na minha frente, sorri pra mim e não me pega – de propósito!!
Durmo apenas 6 horas durante todo o dia e noite, totalmente picadas
Já vou viajar para a praia
Tenho os cabelos claros, 8 kg e 65cm
Abraço bem apertado o pescoço da minha avó
Tenho os olhos castanhos claros bem grandes e cílios ainda maiores
Brinco com o bigode do meu avô
Pego tudo que está na minha frente
Faço cara feia para os beijos espinhosos da barba malfeita do meu tio Ton
Tento derrubar a xícara de café, o pão, o telefone, o forro da mesa, o controle remoto
Sou louco pelo leite da minha mãe
Como pera, banana, maçã, mamão e melão
Vomito no meu irmãozinho e depois rio da bronca dele
Durmo fazendo aquele 4 com as pernas. O meu 4 é bem pequenino...
Adoro ouvir música
Dou birra; aliás, empino de tanta birra
Tomo banho de banheirona
Rio muito quando minha mãe canta  __Cocôôô, cocôôô... __Coitado dele... __Coitado nada, ele é cocô!
ou então quando ela faz a voz do chooove, mas como chooove... chuva, chuvisco, chuvaraaaada, por que é que chove tanto assiiimmm... larara... Oh, que tarde tão bela, banana quente no forno com açúcar e canela! Chove, chove, chove, deeeeixa chover, enquanto tiver bolo de cenoura a gente nem vai percebe-er!
Ouço ela orar por mim à noite e sempre acordo no meio da oração, para o desespero dela
Ouço ela chorar quando ora, acho que de felicidade por eu existir, e por isso eu acordo, para a alegria dela...

Aos 6 meses, completos hoje, eu tenho duas covinhas nas bochechas, outra no queixo, orelhinhas pequenas, cheiro gostoso, dobrinhas por toda parte, sorriso feliz e muita, muita esperança...



quinta-feira, 30 de junho de 2011

1439 + 1


Hoje o dia teve mais que as corriqueiras 24h. O branquelo, que normalmente acorda 4, 5 vezes na madrugada, levantando-nos de vez às 6:20, hoje resolveu – sem me consultar – que 4:40 eram o mesmo que 6:20 e não houve canção de ninar ou qualquer dos ‘hits da vovó’ que o convencessem do contrário. E decidiu, ainda, que o cochilozinho das 10 da manhã deveria acontecer somente às 18h. Como a coisa pega, a minha ajudante entendeu que hoje não era preto na folhinha e pouco antes do almoço avisou que não viria. A revisão de um artigo, que deveria ter sido entregue até meio-dia, foi adiada. Sorte minha de ter entre os clientes as melhores amigas que possam existir. Sorte também (nessas horas) de viver na época da internet 3G conectada ao laptop dentro do carro, que transmitia o trabalho enquanto eu dirigia para buscar o Samuel na escola. Almoço? Claro, às 15:30, com o Luca choramingando no carrinho espinhoso talvez por me ver pulando em frente ao fogão na tentativa de fazê-lo rir. Comida pronta + bebê cheiroso do banho + trabalho entregue = descanso. Isso. Corta. Comida pronta, bebê cheiroso, trabalho entregue = arrumar cozinha. Como ninguém é de ferro, um episódio de Cold Case gravado há dias, aproveitando a soneca de 34 minutos do bebê, que acorda rindo não sei se pra mim ou de mim, desesperada por um rodo e sabão que transformassem esse lugar no que era um dia antes. Feito. Ambiente propício à preparação de 8 potes de gelatina de morango e limão, um tabuleiro de torradas com manteiga, alho e manjericão para assar e um café da hora.
Dia gostoso dedicado inteiramente a mim, aos meninos e à casa. Agora, pipoca no balde, leite puro e frio e o filme “O Amor Acontece”. Sim, acontece. Precisava arrumar um minuto precioso desses 1440 hoje intensamente vividos e uma página escrita pra lhe dizer isso, meu bebê...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Um dia de muitos



Poucas palavras para um monte de paz e respeito.
É o que quero pra todos neste momento.
Que esses sejam os valores para casais de muito, médio, pouco e pouquinho tempo.
Felizes dias de namorados.




quinta-feira, 2 de junho de 2011

Olha o retrato!!!


Amigos,

no link à direita "OLHA O RETRATO" mais fotos do Luca, desta vez posando de modelo fotográfico. E eu aproveitei a ocasião para dar algumas pitadas do ar da graça...

Mila



 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tudo de bom


Deus
Samuel e Luca
Leite gelado com farinha de milho após as 22h
O.B.
Meia luz
Café com a minha vista
Varanda do meu quarto
Amigos em casa
Samuel na percussão
Pequi
Conversa e risos a dois
Único toddynho na geladeira vazia
Filme em casa
Pipoca com leite puro gelado
Roupa solta
Chegar em casa
Pitucha e Chiara
Roupão branco e toalha enrolada na cabeça
Banho de espuma
Suco de laranja
Luca sorrindo
Viajar
Casa arrumada
Sashimir
Samuel e Luca
Samba e bossa
Geleia de amora na torrada caseira
Minha mãe, apesar de nós duas
Família
Quarto do bebê
Programa de milhagem
Céu azul
Milk shake de creme
Vinho na taça
Cerveja na tulipa
Café em xícara ou copo de extrato
Dirigir na estrada
Samuel e Luca
Ser coçada
Pontuação
Wireless
Consciência limpa
Praia
Caipirinha
Praia com caipirinha
Manifestação jurídica entregue
Meus três afilhados Leo, Guilherme e Vítor
Pé do nenê
Beijo 
Eu me enxergando e me alcançando novamente...



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dois filhos, duas mães


A mensagem sms que acabo de receber reclamou que eu finalmente voltasse a me sentar nesta cadeira.
Eu já sabia do significado de se homenagear mães – não as que parem, mas as que amam – no dia das mães. Sabia porque era mãe, mas agora sou renascida.
Meu 14º dia das mães teve um significado diferente, assim como ser mãe novamente ressignificou tudo. Diziam-me ser assim, mas não compreendia suficientemente a dimensão. Apenas fui otimista até então e agora sou surpreendida.
A oportunidade que Samuel e Luca me dão todos os dias de ser alguém melhor credita a eles, tão-somente a eles, toda a dádiva de eu ter-lhes dado a luz, quando na verdade a escuridão era minha.
E é aí que me vejo neste momento sem entender o porquê de ser homenageada. Discordo de Drummond (ouso): é filho que, na sua graça, é eternidade.
É o Samuel que, na sua dificuldade, concede-me a oportunidade de ajudá-lo na redação escolar. É o Luca que, na sua bondade, dá-me seus pequenos lábios em meu seio e me alimenta. É aquele quem, à meia-noite, me oferece a ocasião para que eu o busque em uma festa em que se encantou por uma menina e alegra-me com o seu crescimento e com a sua adolescência sadia, dando-me a chance de vê-lo crescer a meu lado. É o pequenino que me oportuniza vê-lo 3, 4 vezes durante a madrugada, além do dia todo. Para ele seria mais fácil, mais cômodo e mais saudável dormir, mas gentilmente espreguiça com os dois bracinhos, abre os olhos e com um sorriso responde a quase um apelo silencioso: “sorria pra mim, meu bebê”. É o mais velho quem me presenteia ao chegar suado com 2 gols feitos pra mim. E é o branquelinho quem permite com que eu o beije e o cheire várias e várias vezes seguidas sem reclamar da minha carência por sua pele macia.
São os dois que, com total despretensão, dão-me a graça de ocupar toda a minha cama e fazer-me pensar, neste exato momento, onde entrarei ali para passar a noite.
Se sou uma mãe minimamente afetuosa e uma pessoa um pouco melhor, devo isso a eles.
O sms: “Uma mãe nasce junto com o seu filho, sempre uma pessoa nova, que é diferente da mulher e até da mãe anterior. Mãe do Samuel. Mãe do Luca. Parabéns”.
Obrigada, Verônica, por estar ao meu lado quando me tornei uma pessoa renovada e duas mães, e não a mãe de dois.
Aos meus filhos, feliz dia das mães!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Fotos atualizadas do Luca...


Amigos, no link NOSSO PEQUENO, coluna direita do blog, mais fotos do bebezão, agora com quase 6kg e com uma bochecha linda de viver e boa de morder!

Mila

terça-feira, 22 de março de 2011

Meia noite, noite inteira



O motivo para se estar aqui, a essa hora, desta vez não é mera insônia. Ela sempre fez parte da minha rotina que se distribuía, nos últimos anos, entre acordar às 6h30min, levar Samuquinha ao colégio,  café da manhã em casa, visitas novamente à escola do Samuel para 'checar' as coisas, trabalho, um raro happy hour entre 19h e 20h (é, isso não faz parte da rotina), pegar o Samuel nas atividades e retornar à casa. A insônia - ou o ciclo teoricamente invertido de sono - fazia-me dormir por volta das 3 da manhã, acordando 3 horas depois e não dormindo mais. Daí o ciclo 'teoricamente' invertido.

Vez ou outra as apresentações musicais revigoravam-me, fazendo-me sentir quem de fato sou. Sensação muito mais intensa e prazerosa do que a finalização de uma peça jurídica extensa e cansativa, que mais se tornava um alívio que propriamente um prazer. Sinto falta de tudo isso, inclusive do peso jurídico, ou dos debates ambientais.

O tempo agora é tomado por uma coisinha maravilhosa que mede 62cm e acorda "meia noite, noite inteira, 3, 4, 5 da manhã". Incrível como aos 38 anos ainda é possível se surpreender com a disposição e vontade de cuidar de uma pessoa em miniatura que toma todo o seu tempo e energia e a devolve por completo em um pequeno gesto de desenvolvimento ou um curto espirro lindamente gostoso. Como diz minha mãe, "como é fácil amar de imediato uma criança".

O Luca ainda não se deu conta da sua especialidade; eu sim. Para o choro e o sorriso - que já surge  intencionalmente - as palavras são amor e gratidão. Acordar de madrugada, quando é possível dormir, tornou-se tarefa árdua e simultaneamente prazerosa e, como não consigo ver um bom filme pela metade, opto pelo canal aberto com programas matinais curtos que ao mesmo tempo mantenham meus olhos abertos mas não interessados, pois estão atentos e apaixonados por ele, aceso das 5 às 7 da matina.

Entre o Telecurso, G. Rural, Bom Dia Goiás, Bom Dia Brasil e Mais Você há espaço para o choro, o sorriso, a cólica, a troca de fralda, a amamentação, o sono nem sempre satisfeito e até para o teste do omelete da Presiden-TA!

Hoje, exatamente hoje no início da noite, o olhar para o Luca foi diferenciado, de cura e propósito. Não tenho a música que, saindo do meu ventre e da minha garganta, acalmava-me para a próxima batalha. Padeço da falta da defesa ambiental e indígena que tanto me alimenta. Restaurantes japoneses? Bo!

Tenho o Luca, que mais que tudo isso, já olha nos meus olhos e, ao que tudo indica, quer me amar gratuita e desmerecidamente e ser amado - mais que já é. Um bebê com menos de 2 meses que esta noite, por volta das 19:40, exigiu-me o peito, lembrou-me de quem eu sou, fez secar minhas lágrimas e, meio que sorrindo, pediu-me para eu viver.

Obrigada, meu filho, por me ensinar. 
Esse é o motivo da minha insônia, esperando, daqui a pouco e feliz da vida, por você...


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

NOSSO PEQUENO...



Vejam algumas fotos do nosso bebê no link ASSUNTOS - NOSSO PEQUENO, coluna lateral direita do blog. 
Enjoy...

Ludmila