Quando a palavra escrita fala mais



terça-feira, 5 de abril de 2011

Fotos atualizadas do Luca...


Amigos, no link NOSSO PEQUENO, coluna direita do blog, mais fotos do bebezão, agora com quase 6kg e com uma bochecha linda de viver e boa de morder!

Mila

terça-feira, 22 de março de 2011

Meia noite, noite inteira



O motivo para se estar aqui, a essa hora, desta vez não é mera insônia. Ela sempre fez parte da minha rotina que se distribuía, nos últimos anos, entre acordar às 6h30min, levar Samuquinha ao colégio,  café da manhã em casa, visitas novamente à escola do Samuel para 'checar' as coisas, trabalho, um raro happy hour entre 19h e 20h (é, isso não faz parte da rotina), pegar o Samuel nas atividades e retornar à casa. A insônia - ou o ciclo teoricamente invertido de sono - fazia-me dormir por volta das 3 da manhã, acordando 3 horas depois e não dormindo mais. Daí o ciclo 'teoricamente' invertido.

Vez ou outra as apresentações musicais revigoravam-me, fazendo-me sentir quem de fato sou. Sensação muito mais intensa e prazerosa do que a finalização de uma peça jurídica extensa e cansativa, que mais se tornava um alívio que propriamente um prazer. Sinto falta de tudo isso, inclusive do peso jurídico, ou dos debates ambientais.

O tempo agora é tomado por uma coisinha maravilhosa que mede 62cm e acorda "meia noite, noite inteira, 3, 4, 5 da manhã". Incrível como aos 38 anos ainda é possível se surpreender com a disposição e vontade de cuidar de uma pessoa em miniatura que toma todo o seu tempo e energia e a devolve por completo em um pequeno gesto de desenvolvimento ou um curto espirro lindamente gostoso. Como diz minha mãe, "como é fácil amar de imediato uma criança".

O Luca ainda não se deu conta da sua especialidade; eu sim. Para o choro e o sorriso - que já surge  intencionalmente - as palavras são amor e gratidão. Acordar de madrugada, quando é possível dormir, tornou-se tarefa árdua e simultaneamente prazerosa e, como não consigo ver um bom filme pela metade, opto pelo canal aberto com programas matinais curtos que ao mesmo tempo mantenham meus olhos abertos mas não interessados, pois estão atentos e apaixonados por ele, aceso das 5 às 7 da matina.

Entre o Telecurso, G. Rural, Bom Dia Goiás, Bom Dia Brasil e Mais Você há espaço para o choro, o sorriso, a cólica, a troca de fralda, a amamentação, o sono nem sempre satisfeito e até para o teste do omelete da Presiden-TA!

Hoje, exatamente hoje no início da noite, o olhar para o Luca foi diferenciado, de cura e propósito. Não tenho a música que, saindo do meu ventre e da minha garganta, acalmava-me para a próxima batalha. Padeço da falta da defesa ambiental e indígena que tanto me alimenta. Restaurantes japoneses? Bo!

Tenho o Luca, que mais que tudo isso, já olha nos meus olhos e, ao que tudo indica, quer me amar gratuita e desmerecidamente e ser amado - mais que já é. Um bebê com menos de 2 meses que esta noite, por volta das 19:40, exigiu-me o peito, lembrou-me de quem eu sou, fez secar minhas lágrimas e, meio que sorrindo, pediu-me para eu viver.

Obrigada, meu filho, por me ensinar. 
Esse é o motivo da minha insônia, esperando, daqui a pouco e feliz da vida, por você...


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

NOSSO PEQUENO...



Vejam algumas fotos do nosso bebê no link ASSUNTOS - NOSSO PEQUENO, coluna lateral direita do blog. 
Enjoy...

Ludmila


Sobre lugares



A ocasião pede um post "sobre o tempo", escasso pra mim nos últimos dias. Ter um filho é missão bem mais trabalhosa que plantar uma árvore e escrever um livro.

Então transcrevo um trecho 'sobre lugares' de um livro em que trabalhei como revisora, relembrado pelo meu amigo Edson Quaresma, editor da obra.

"Sobre lugares:
Nascemos num lugar dentro do corpo da mãe; a mãe está num lugar dentro de uma casa ou de um hospital; esse está num lugar na cidade ou no campo que, por vez, está num lugar dentro de um estado, de um país, de um continente. Mas, há outros lugares – os de dentro, os que não se enxergam, não se pisam, não se tocam... O meu lugar no olho daquele que me vê; o lugar do estranho na sensação do meu espanto; os trieirinhos da alma, cada coisa sentida, cada afeto recebido, cada desejo não cumprido. Ou mesmo os rios das paixões desacertadas, os mares transbordantes do medo que quiseram se transformar em dores... Sempre perguntamos 'qual é o meu lugar?' O lugar do meu nome na língua..."
(Eguimar Chaveiro, 2005).

Qual é o meu lugar? tenho a impressão de estar o encontrando na estrada percorrida, cheia de tropeços. Que você, filhote, esteja ao meu lado nessa caminhada...


domingo, 23 de janeiro de 2011

'Vem pra mamãe você também, vem!'



Sempre dizem que grávida tem sensibilidade extrema, mas nem precisavam dizer. Minha primeira gestação, há 14 anos e meio, teve altos e baixos. Eu em Brasília, o então amor (hoje verdadeiro irmão) em Goiânia. Nós em Hidrolândia, nos finais de semana. Protagonistas de música ao vivo em bares, o sossego era raridade e o sono, uma constante.

Em alguns momentos, no aconchego do mato e com o cobertor semirasgado feito de lã já puída, cantava-se sob a lua (ou para ela), com o queijo assando à beira da fogueira. "Festa estranha com gente esquisita"... isso também fazia parte. Música, muita música, e o andar do companheiro às 4 da manhã mata afora. Momentos dele e dele. Eu, de longe, olhava, tentando compreender o que hoje é muito nítido pra mim. O encontro pessoal necessário. Momentos 'a um'.

E nesse contexto de distância, encontros, fogueira, sono e barriga, a sensibilidade fluiu. Chorava muito, senti-me feia (20 kg a mais), apesar dos tantos elogios e apoio daqueles que compartilhavam a vida comigo. Mas chorava. E chorava.

A atual gestação (há exatos 8 minutos estou tentando encontrar as palavras para descrevê-la neste espaço...)... Ufa! A atual gestação foi um misto de susto, desespero, abandono, luta pessoal, provações.

Em meio a isso, meu meninão, que nasce daqui a 3 dias, infelizmente viveu as minhas dores, na minha incapacidade de dizer-lhes 'não' quando mais precisava e menos conseguia. A sensibilidade, duplicada pelos meus 38 aninhos, triplicada pelos hormônios próprios da prenhez e elevada à 8ª potência pela crueldade humana, atingiu seu ápice no assistir não só de uma, mas de duas e de três publicidades bancárias. Não, não tem graça, mas um dia ainda vou rir disso...   :)

O melhor vai começar. Primeiro aquele lindo garotinho de aproximadamente 1 ano, de body azul claro, que se levanta com dificuldade - mas persistente e confiante - com a emocionante trilha do Guilherme Arantes em versão propositadamente melódica:

"Você mostrou pra mim como enxergar, assim, mais de um milhão de motivos pra sonhar, enfim... e é tããão gostoso ter os pés no chão e ver que o melhor da vida vai começar..." Em 2011, o melhor da vida vai começar.

Objetivo atingido (afinal, se há alguma imagem de banco associada a uma criança é a desse banco brasileiro e sua caderneta de poupança); mas talvez não tivessem noção de que o caminhar exitoso daquele garoto pudesse simbolizar tanta realidade e fazer alguém chorar copiosamente e sorrir ao mesmo tempo, grata e confiante.

Presença Lado a Lado. A campanha reforçou que "presença de verdade é estar lado a lado". Na publicidade de final de ano, pessoas que não se conhecem - mas ocupam um mesmo metrô - descem na estação, onde seus pares as aguardam. Abraços entre pais e filhos, avós e netos, irmãs e irmãos, namorados e namoradas que vivem distantes se multiplicam e a saudade é finalmente aliviada pelo reencontro, pela presença, lado a lado. E dá-lhe lágrima, porque lágrima que é lágrima corre "lado a lado"!

Juntos.
"Para fazer um mundo mais colorido só existe uma cor: todas.
 Para fazer um mundo mais responsável só existe uma lei: a da consciência.
 Para fazer um mundo mais sustentável e pacífico só existe uma fórmula: a do respeito.
 Para fazer um mundo melhor só existe um jeito: juntos".

E a nova curta para o cúmulo da sensibilidade é 'chorar com publicidade de banco'.

Luca, você mostrou pra mim como enxergar, assim, mais de um milhão de motivos pra sonhar, enfim... e é tão gostoso ter os pés no chão e ver que o melhor da vida vai começar, com todas as cores do mundo disponíveis pra nós, lado a lado, juntos... Vejo você em 3 dias, meu mais novo e eterno amor...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Aceitação



A recente tragédia no estado do Rio de Janeiro nos torna ainda menores, não 'somente' pelas dimensões épicas do episódio e pela nossa incapacidade e inoperância frente a ele, mas por apontar com crueldade àqueles que dele não padecem (entre os quais me incluo) a pequenez de alma vivida no dia a dia e dos problemas, reais, mas menos pesados que supomos, bem menos.

Verdade que a realidade de cada um delimita a sua dor e difícil atentar que ela é mais que romântica e burguesa, pois beira o adjetivo "vergonhosa", até que nos atentamos. Diante - mas ainda estáticos - de perdas irreparáveis como as mortes reais no Rio, em Minas e mundo afora, percebemos que nossas mortes internas são ressuscitáveis, aquelas não. E é exatamente aí que nos tornamos maiores e mais fortes.

Pedreiro perde filho de 2 anos, esposa e mãe; recebe abrigo seguro mas se recusa: prefere ser voluntário e ajudar a salvar os demais, ao tempo em que enterra os que ama. As lágrimas - necessárias - finalmente caem por alguns minutos. A vida, contudo, impõe-lhe mais, guiar bombeiros e médicos pela região devastada e tão bem conhecida dele. E por ali ele vai, resoluto.

Enquanto isso, lamentamos com a mais profunda dor a frustração dos nossos planos padrões, talvez por sabermos da nossa capacidade de realizá-los, é verdade, e não nos conformamos com o que a vida nos apresenta no momento: "é o que tem pra hoje."

Com diz um amigo muito querido, "começamos 2011 foi é bem, Lud; deixemos as dúvidas e dores em 2010"; em conversas como essas, com pessoas que realmente se ocupam da amizade consciente, não tendenciosa e da solidariedade, e no reflexo da luz da TV noticiando a tragédia maior, os problemas - muitas vezes  representados na figura de pessoas indispostas a amar e a se doar com o necessário sacrifício; das perdas financeiras; da obra inacabada; do filho por vir sem as condições emocionais, afetivas e sem o teto confortável sonhados; da incompreensão; da acusação desferida contra o outro para ocultar e justificar a própria inércia, o próprio caráter comprometido, as próprias fraudes, a perdição total e o aniquilamento de valores - passam a ser vistos com a necessária autoestima e amor próprio e nos envergonhamos da autopiedade, da condição de humilhação que permitimos nos seja colocada e - na verdade - nos colocamos.

A famosa frase de consultório, dita sem a necessária reflexão e profundidade, se repete sem o menor constrangimento: "ninguém é responsável pela (in)felicidade do outro". A palavra 'responsabilidade' é banalizada por ser pesada demais pra quem não a compreende; assim, adere-se, sem qualquer análise, ao quase jargão; mas somos, no mínimo, responsáveis pelo nosso comportamento nas relações a que nos propomos e na medida que nisso negligenciamos, afetamos tremendamente a vida alheia, não tão alheia assim, pois nela nos entrelaçamos voluntariamente.

A meta de refazimento pessoal, como a do pedreiro, com dignidade e determinação com os nossos e com o desconhecido é premente. Acordemos, finalmente, para a lição adquirida, não só de responsabilidade com a vida 'alheia', mas de solidariedade e disposição.

A minha eutanásia cessou e a vida abundante se consolida a cada instante. Solidarizo-me com o Rio, solidarizo-me com as minhas tragédias pessoais. Guiemos o rumo da nossa história, como o pedreiro determinado, e paremos com o "deixa a vida me levar, vida leva eu". Não fosse o parto iminente, eu estaria lá com ele.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Seiva e Suor




"Contra uma visão alarmista que chama apenas para as lágrimas, para os lamentos e não para a luta, é preciso enunciar o seguinte: ideias e projetos são seivas da vida, mas necessitam de punho, ação e suor para se concretizar. E se há destruição (e há), é preciso dizer o nome de quem destrói e por que destrói,
para que haja conscientização e reconstrução".

As revisões de texto me enriquecem a cada instante. O trecho acima, retirado de um livro em elaboração, é voltado para a geografia, para o humano, para o amor, para a vida e reforça que talvez alguns de nós estejamos no caminho certo da transformação e da reconstrução.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Rostinho do Luca....




Essa é uma "foto" do rosto do meu bebê, dormindo...
Não sei se é coisa de mãe ansiosa, mas ele parece meio bochechudo, não acham?



Fotos - Chá do Luca



No link 'Assuntos" (coluna direita da página) estão as fotos do chá de bebê do Luca, inteiramente organizado por minha amiga e irmã Adriana, a quem serei grata pelo resto da vida pelo companheirismo e amizade.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Cortar o Tempo

(Carlos Drummond de Andrade)

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."


Renovação. Milagre. Outro número. Outra vontade. Acreditar que vai ser diferente. E vai. São as palavras de ordem para esse momento. 
2011 de fé e ação a todos, inclusive pra mim...
Mila