Quando a palavra escrita fala mais



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sou Marina, com coque onipresente!


Nunca me furtei de expor minhas preferências ou tendências político-partidárias. É, porque existe isso, a tendência; e às vezes é tão forte que não abrimos mão das nossas meias-verdades em nome dela. Foi o que aconteceu comigo.

Os governos Lula, do ponto de vista da lealdade ao discurso da ética, da moral e às propostas do Partido dos Trabalhadores, pareceram-me um fiasco. Seus conchavos com 'ditadores enlouquecidos' (não, isso não é um pleonasmo), como Hugo Chaves, igualmente me chocam. Mas não ignoro a história e os caminhos que levam à construção do que hoje me decepciona; muito menos ignoro o fato de que minha ajudante do lar tenha DVD, som, TV 29'', ipod, armário de cozinha 'da hora', computador, internet banda larga, ainda que à custa de crédito a perder de vista, mas pago em dia (claro, atribuo isso também à pontualidade desses imprescindíveis trabalhadores preocupados, mais que outros, em honrar seus compromissos).

A forçosa saída do PT da atual pré-candidata à presidência da República, Marina Silva, é um retrato da coerência desta e da incoerência daquele. Praticamente solitária no governo de Lula na luta pela questão ambiental - tendo na outra ponta nada mais nada menos que o poderoso MME (Ministério das Minas e Energia) e um PAC sem-limites - não lhe restou outra alternativa, aliada ao oportuno, inteligente e estratégico convite do PV.

Nessas idas - sem vindas, graças a Deus - da nossa ex-ministra, regozijo-me na minha verdadeira tendência e adoto como candidata, sem pestanejar, a moça do seringal. E alinho-me, inevitavelmente, com os jovens, senão por convicção, no mínimo pela lógica, pois estarão no comando do mundo.

À Marina Silva, meus agradecimentos por poder contar no cenário político desse país com uma mulher de tantas qualidades. Abaixo um texto sobre eles, jovens, e sobre ela, Marina.
 
"É jovem? É moderno? É Marina
Por Juliana Linhares

Estar lá atrás nas pesquisas não diminui a empolgação por Marina Silva da juventude bem-nascida, bem conectada e bem-pensante que, sem ganhar nada, se mobiliza em favor da candidata do PV.
Foto: Edu Lopes


Marina Silva, 52 anos, pode não ter base partidária importante, fartos recursos de campanha nem espaço para crescer. Mas tem uma coisa que faz qualquer adversário morrer de inveja: bandos de jovens encantados com seu discurso e sua personalidade, dispostos a erguer as mangas dos moletons, de marca, e gastar as solas dos tênis, de grife, para nadar contra todas as evidências pré-eleitorais e elegê-la presidente. Ainda por cima, eles se dispõem a fazer tudo isso na moral, muitas vezes bancando pequenas despesas, e na maior animação - lembram-se de um partido que no passado distante era assim? São os "marineiros", como se autodenominam os defensores da candidata do Partido Verde, em geral jovens das classes média e alta que estudaram em bons colégios, seguiram profissões conectadas à modernidade e têm na causa ambiental a maior, se não única, energia mobilizadora. Sem hesitação, declaram-se unanimemente a-pai-xo-na-dos por Marina. E provam. 

O carioca Eduardo Rombauer, hoje com 30 anos, é marineiro de primeira hora. Quando ainda estava no Ministério do Meio Ambiente, em 2007, Marina dava uma palestra em Brasília quando percebeu alguns estudantes, Rombauer à frente, que distribuíam broches com seu rosto pintado. Mandou pedir que parassem. Dois anos depois, em outra palestra, lá estava o grupinho de Rombauer, que pediu e obteve uma conversa com ela. "Lembra dos broches? Fui eu que fiz. Agora, vou retomar a campanha pela sua candidatura. Nem que a senhora não queira", relembra o carioca insistente. "Ela disse: ‘Menino, faça isso, não. Vai me dar problema para mais de metro’." Rombauer foi em frente e criou o Movimento Marina Silva. "Cinco meses depois, o PV a convidou para ser a candidata do partido à Presidência. Não tenho dúvida de que isso aconteceu por nossa causa." O movimento atualmente tem 20.000 seguidores virtuais.

Com seu jeito habilidoso de falar e a tranquilidade de quem só tem a ganhar numa eleição que a projetará como personalidade carismática, mesmo com os atuais 12% de preferência de votos, Marina afaga os fãs. "Os jovens são portadores naturais da antecipação do mundo. Enquanto a gente vai consolidando uma experiência, eles desequilibram tudo, e buscam outra coisa. É isso que faz com que o mundo não pare", diz. Pesquisadores políticos acompanham com interesse a campanha espontânea em favor de Marina. "Esta disputa tem dois candidatos mais velhos, que remetem ao século XX. 


Quem traz uma conversa nova para esses meninos é a Marina", diz Antonio Lavareda, profissional do marketing político. Um exemplo: referências à militância contra a ditadura, constantes das biografias de José Serra e Dilma Rousseff, tendem a provocar efeito zero, quando não rejeição, nessa parcela do eleitorado. "A gente quer pensar no futuro, não no passado. Eu respeito, mas para mim é só um jeito de colocar alguma qualidade na Dilma, que não tem nenhuma. A Marina é o nosso Obama, a nossa esperança", exalta Matheus Braz, 16 anos, de Ilhéus, Bahia, que se apresenta como "web ativista" da candidata. "Eu descubro pesquisas e links sobre ela e passo para os outros. Gasto duas horas por dia nisso. Mas faço de uma maneira consciente, sem entupir a caixa postal das pessoas", explica. Outras ações espontâneas têm o mesmo ar de cativante ingenuidade só permissível em candidaturas alternativas. A produtora de objetos para cinema Camila Tarifa, paulistana de 25 anos, fez uma vaquinha entre os amigos e mandou confeccionar por bordadeiras da Paraíba, claro que de uma comunidade carente, 200 bonequinhas em forma de broches. "Elas serão marininhas, e virão com coque e xalezinho, como ela", descreve Camila.

Para os marineiros, todo argumento potencialmente desvantajoso para a candidata dispara logo um contra-argumento. Marina tem poucas intenções de voto e nenhuma probabilidade de ganhar as eleições? "É porque ela só é conhecida por 25% das pessoas. Tem gente que ainda a confunde com a Heloísa Helena. Mas, quando os outros 75% a conhecerem, vão todos gostar dela", rebate Rombauer. Marina é evangélica, da Assembleia de Deus, e sabida e publicamente contrária ao casamento gay? "Ela não vai colocar sua fé acima de tudo. Vai fazer plebiscitos e, se a população for a favor dessas questões, vai aceitá-las", acredita o cineasta Victor Fisch, 25, inventor de peculiar ação de marketing pró-Marina. "Chamo de guerrilha de elevador. Se estou num com minha mulher e uma terceira pessoa entra, começo a dizer para a Camila: ‘Hoje eu vi aquela tal de Marina na televisão. Ela é boa, viu? Devemos prestar mais atenção nela’."

Outro público junto ao qual a candidata faz sucesso é o das socialites ambientalmente esclarecidas. Quem a introduziu nessa floresta foi a paulista Ana Paula Junqueira, 39, uma espécie de anti-Marina: rica de berço, milionária por casamento, usuária de grifes de altíssimo luxo, frequentadora de festas famosas de todos os continentes. Ana Paula tem pretensões políticas - atualmente, ambiciona uma candidatura a deputada federal pelo PV - e deu uma festa para apresentar Marina a seu círculo de amizades. Como nas altas-rodas da Califórnia, teve até lama tibetano na festa. Com a candidata, diz ter aprendido muita coisa, "inclusive a melhorar os meus speeches. Agora, na hora de falar, falo com o coração". Na sua opinião, "Marina só se compara a Mandela" - a quem conhece pessoalmente, aliás. Outra entusiasta, a joalheira chique Elisa Stecca, 46, doou joias para um leilão de arrecadação de fundos para a campanha do PV e tem motivos astrológicos para seu engajamento: "A era de Aquário, de que tanto se fala desde os anos 60, agora chegou, com Marina".

Criada num seringal no Acre, em meio a dificuldades inimagináveis mesmo para os muito humildes, Marina circula com naturalidade nesses meios rarefeitos. Para os que a consideram uma espécie de avatar reencarnado, ela reserva a surpresa da vaidade saudável. "Minha avó sempre dizia: ‘Minha filha, mulheres que não são avantajadas nem em cima nem embaixo têm de ter pelo menos a cintura fina’", explica sobre os cintos marcantes. E o coque onipresente? "É porque meu cabelo está muito branco e disseram que eu pareço uma alma", ri. 


De salto alto e maquiagem de uma marca japonesa (tem alergia às outras), ela se considera, sim, elegante. "Acho que eu estou bem na foto", define. Visto que pesquisas do PV indicam que 60% de seus eleitores têm entre 18 e 44 anos e estão dia e noite na internet, Marina, que usa o computador basicamente para mandar e-mails, entende a importância da web e agora tem um assessor de Twitter. Melhor do que isso, só a espontaneidade de apoios como o de Renata de Azevedo e Rangel Mohedano, ambos de 29 anos, engenheiros ambientais, que se casaram no começo de maio e, junto com os bem-casados, distribuíram adesivos dela. "A Marina faz parte da nossa história como casal e como indivíduos", explica a noiva, numa linguagem tipo assim totalmente marineira."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Belo Bonsai

Nos encantamos pelas pequenas coisas, pequenos gestos.
O bonsai era meu, mas estava ali, secando.
Alguém veio e cuidou, como uma meta. Nesse gesto enxerguei beleza.
Obrigada.


  

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Profissão: esperança.

"Às vezes me sinto muito só. Sem ontem e sem amanhã. Não adianta que haja pessoas em volta de mim. Mesmo as mais queridas. Só se está só ou acompanhado dentro de si mesmo. Estou muito só hoje. Duas ou três lembranças que me fizeram companhia, desde segunda-feira, eu já gastei. Não creio que amanhã aconteça  alguma coisa de melhor."
(O diário de Antônio Maria)

A sensação de estar só não é privilégio só do Maria. Que bom não se sentir uma ET em meio a isso. A compensação é a euforia em estar perto de quem se anseia - contagiante e, simultaneamente, insuportável. A intensidade das coisas pode assustar, e ninguém é obrigado a isso. Nem mesmo eu.

A chegada foi um misto de dúvidas e ansiedade. Mas a ansiedade anterior é inexorável e cobra caro. Nossa história de vida também. Diz-se que "amar é uma mistura de alegria e medo; de paz por um lado e ameaça de guerra pelo outro." Nessas condições, sequer sabe-se ser amor. Geralmente não é...

Chico Buarque implorou para que deixassem "em paz o seu coração, pois ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, faça não... pode ser a gota d'água".  Mas sendo eu do tipo que esvazia os próprios potes a cada dia, abro-me para novas mágoas e para a desatenção, minhas e dos outros, incansavelmente, e me distraio: o pote do outro pode estar cheio e ele nem sempre faz questão de esvaziar. Há até quem espere pela gota, ansiosamente.

Os dias seguintes se teceram de um texto com vírgulas no meio. E as vírgulas não deixam fluir. Explicam, pausam, atenuam, acentuam - o bom e o ruim - , mas haja sabedoria para que não as usemos tanto, mesmo se facultativas. E ainda há as vírgulas dos outros, que insistem em escrever conjuntamente, movidos pela nossa permissividade. Há os fantasmas. E ainda a nossa tendência, a do outro, a fórmula imperfeita, o sonho limitado, a vontade inacabada. Há o que há e até o que não há.

O enredo segue, sendo escrito. Vazio ou de poucas palavras. Volto ao Maria: sem ontem ou amanhã. O sentido disso? esperança. Só pode...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Conceitos recentes

Resolvi dar um basta à minha letargia. As opções: academia não; caminhada não; corrida não; esteira não; massagem não (isso é inércia, não vale); escadas não. Bicicleta, das que saem do lugar. Comecei a busca por opiniões. Faço isso sempre, às vezes as sigo. 

Primeiro, o Humberto Guerra, um bom moço mineiro que pedala ladeiras Belorinzontinas e estradas francesas afora:

__ Lud, assim: quadro básico tamanho 15" componentes Acera (essa é uma "família" de componentes da marca Shimano) e uma suspensão básica da marca Pró-Shock. Se não houver tamanho 15", vá lá, 16". Mas qualquer coisa acima de 17" vai ser grande para você. Você deve adequar o quadro ao seu assoalho pélvico. E pedalar com ergonomia é fundamental. Quadros razoáveis: Canadian, Pró-Shock, Rally, Schwinn, GTS.

1° Conceito: 'assoalho pélvico' - aquela parte ali, abaixo da cintura, acima da coxa, a base da região do sacro (ou seria ilíaco?). 

Nunca tinha ouvido coisa igual. A cara do Humberto.

Depois, Luciano Alves: anos pedalando em Goiânia, inclusive para o trabalho. Um rapaz que, no mínimo, contribui para um trânsito melhor na já então metrópole goianiense:

__ Olha, Ludmila, se você for pedalar para a prática de exercícios físicos, a melhor bicicleta é a pior bicicleta.  
__  ...

2° Conceito: a melhor bicicleta é a pior bicicleta, segundo o autor da frase: quanto pior for a bicicleta, mais esforço você fará. Quanto mais esforço fizer, mais se exercitará. Além disso, ela custará R$ 100,00 e no caso de você não seguir adiante com o seu propósito (de onde ele me conhece tão bem? te perguntei alguma coisa, Luciano?) perderá apenas R$ 100,00. Portanto, a melhor bicicleta é a pior bicicleta. 

Nunca pensei que um dia ouviria coisa igual. A cara do Luciano.

Taí. Nem um nem outro. Segui os dois. Hoje começo a sentar na bike pra tentar me equilibrar. Linda, preta fosco, toda no alumínio, 1 semana de não-uso, cheiro de nova. 

Quer comprar?!?!

É o que tem pra hoje

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."

Clarice Lispector

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A casa é minha, visita!

Ouvindo um som, desavisada e despretensiosamente (pegando carona no carro e no toca CD de outro, é mesmo despretensiosamente), topei com essa música interpretada pela Mariana Aydar, cuja letra é hilária, se ouvida com os 7 sentidos, em especial, com o do sarcasmo. É aquele tipo de música que, num primeiro momento, pode-se imaginar: “que legal a intimidade deles! Ele chega, entra, nem interfona e abre a geladeira...definitivamente, que paixão, que cumplicidade. Ai... que vontade...”.  Não, nada disso. Na frente dos versos tentarei (em azul) fazer a interpretação do que (acho) foi tecido na letra. Já começo a rir... A música se chama “Aqui em casa”. Ajudem se eu estiver equivocada. Talvez seja só o meu momento lendo assim. Mas que rio muito disso, ah, rio...


Aqui em casa  (a casa é minha!)
Mariana Aydar

Quando você chegar
Não precisa interfonar (ninguém vai atender ao interfone, pois eu não estarei à sua espera)
Mete a mão na maçaneta e pode entrar (se eu permito a sua entrada, é porque você não manda por aqui)
Você já sabe onde fica tudo aqui em casa (não encontrará o jantar pronto à sua frente )
Fique à vontade, sem cerimônia  (se vira nos 30)

Tu já é de casa
Te conheço há tanto tempo (és como se fosses um irmão pra mim)
Sei de tudo, leio até teus pensamentos (ou a minha melhor amiga...)
Das novidades, te conto amanhã bem cedo (claro, pois não dormirei aqui contigo, tá louco?)
Pois entre a gente nunca houve segredos (és! um irmão pra mim)

Na geladeira tem salada (tá gordo, consegue perceber?)
O insenssário tá no armário
Aquele verdinho que você gostou, deixa queimar (pega só o verdinho, hein, aquele de que não gosto)
 
Não precisa me esperar pra nada (faça tudo sozinho e não conte comigo, pelo amooooor de Deus!)

Você é a visita que eu gosto de ter em casa
Você é a visita que eu gosto de ter em casa (visita, você é uma visita, seu tempo está se esgotando..)

Só não vá confundir
Todo esse amor
Se eu te dou carinho é só
Pra ser bom ('bom', não 'gostoso', apenas 'bom')
Nunca passou de amizade (unidunitê-salamêminguê!)

Não vá confundir, então, o coração
Nunca passou de amizade (se tocou, mané?)

Besteirol à parte, a música é muito boa e, claro, está no meu repertório! Vale a pena escutar. É só clicar. 
http://www.mediafire.com/?zymh31jtzzd

terça-feira, 23 de março de 2010

Hablar


Por Pablo Pini, um novo - porém grande - amigo argentino.

Por millones de años vivimos sumergidos en la inmensidad de variedades de seres que poblaban la tierra. No nos diferenciábamos mucho de nuestros hermanos los monos, no sabíamos quienes éramos... pero en algún momento algo ocurrió, algo cambió todo para siempre, algo liberó el poder de la imaginación... APRENDIMOS A HABLAR...

Desde entonces cambiamos nuestros pareceres, el mundo podía enseñarse, tu experiencia podía complementar la mía, tus ojos podían ver y transmitir lo que los míos no veían, y nuestra mente podía estar donde nuestros cuerpos no podían.

Y así  nos juntamos, formamos nuestras tribus, comenzamos a compartir, comenzamos a entender, aumentamos nuestras experiencias y enseñanzas, nos protegimos,... el habla nos hizo sentir seguros, y con la seguridad vino el orgullo, la arrogancia y la incomprensión… llego el momento de atacar...

Atacamos lo que no entendíamos, porque precisamente no podíamos HABLAR con ellos. Atacamos la no respuesta, y pronto atacamos a las respuestas que no comprendíamos. Dividimos nuestras tribus, nos separamos… separamos nuestras lenguas, ya nunca HABLARIAMOS con los distantes, los que se fueron o echamos, nunca más entenderíamos a los que volveríamos a ver... les hicimos la guerra, les quemamos sus tierras,  violamos a sus mujeres, matamos a sus niños, impusimos nuestras ideas y leyes, creamos nuestros imperios… los destruimos, invadimos y nos invadieron… seguimos sin entendernos...

Alguien se interesó en la lengua de los otros, quiso entender, quiso aprender, quiso crecer, y hubo esperanza de un mundo mejor... ahora los imperios cooperaban, se repartían el mundo, se entendían... y nuevamente se traicionaban, porque guardaban algunas palabras para si, nació el secreto... lo oculto, lo que no podés saber de mi porque me vuelve débil o pone al descubierto mi falsa fortaleza... y todo volvió a lo mismo. El desencuentro, la desconfianza, la constante división....

Entendamos porque llegamos a esto... NUNCA NOS HABLAMOS... y la falta de diálogo es lo que nos separa y no nos deja crecer. Porque desperdiciamos ese don, el del habla, desperdiciado en secretos, traiciones... repetimos la historia todos los días de nuestras vidas.

Hablamos, nos la pasamos hablando y no nos decimos nada.

Puedo imaginar el momento en que rompamos ese silencio... todas las cosas que podríamos decirnos y nuestros corazones no se negarían a escuchar, porque nos daríamos cuenta que estamos todos del mismo maldito lado y las murallas que una vez construimos finalmente se desvanecerían.

De todos los poderes, el HABLA es el más poderoso y abandonado de todos... ojalá al leer esto hayas sentido que HABLASTE conmigo... y no todo estará perdido.


Pablo Pini, Buenos Aires, Argentina

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cidade Desigual

Texto por Daniel Rodrigues

A cidade que tão bem me acolheu e da qual aprendi a gostar é apontada, novamente, a mais desigual do Brasil. O relatório é da ONU.

Agora poderíamos nos perguntar: como isso é possível? Goiânia não era a melhor cidade em qualidade de vida do país!? Seria o relatório da ONU equivocado em seus métodos? Talvez, mas a verdade é que nós, goianos natos ou naturalizados, pequenos-burgueses frequentadores do Flamboyant, não vemos a pobreza de nossa capital. Geograficamente Goiânia esconde sua miséria, diferentemente de Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, nas quais as favelas no topo dos morros projetam-se na linha de nossos olhos.

Talvez tenhamos que começar a contestar esses velhos (e ainda hyppies) dogmas que rondam Revista Veja, Jornal Nacional e cia: desenvolvimento é sinônimo de crescimento de PIB? O Estado brasileiro realmente é grande? Porém, grande para quem?

É aquela velha história: construir viaduto dá mais voto do que investir na qualidade do ensino público, por exemplo.

Abaixo algumas reportagens sobre o assunto. Ao final, um texto feito em 2008, quando do primeiro relatório da ONU.

Daniel Rodrigues, jurista e servidor do Ministério Público Federal

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100320/not_imp526930,0.php
http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/brasil-tem-quatro-capitais-entre-as-mais-desiguais-do-mundo/31384
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=984674
http://www.opiniaonet.com.br/noticia.asp?txtNoticia=12864
http://www.ohoje.com.br/cidades/20-03-2010-goiania-e-a-cidade-do-brasil-com-maior-desigualdade-social
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/03/20/brasil,i=180918/AO+LADO+DE+GOIANIA+FORTALEZA+E+BELO+HORIZONTE+A+BRASILIA+ESTA+ENTRE+AS+QUE+APRESENTAM+AS+MAIORES+DIFERENCAS+SOCIAIS+DIZ+A+ONU.shtml

Criptonita


Nunca me lembro de agradecer por viver neste século em que as mulheres estão quase - eu disse 'quase' - que totalmente libertas de padrões opressores baseados em normas de gênero, sendo-lhes permitido falarem em público e enquanto seus maridos também falam (é, antigamente isso era proibido), votar, contratar, trabalhar e, inclusive, ter o direito de escolher entre  uma profissão e uma família, sabendo que escolher unicamente pela família também é uma opção a ser respeitada, exatamente por ser opção. Este é o ponto.

O comentário da brilhante Marianna Aires (‘minha’ ex-estagiária) ao conto do herói de meia tigela do Samuel me remete a tudo isso. É que o desfecho com a ‘criptonita’ foi bem resumido, talvez para não lhe causar maior indignação ao se lembrar de toda a história, que aconteceu mais ou menos assim:

__ Marianna, você não tem medo de ficar aííí (com aquele queixo projetado que o goiano adora fazer quando indica direções), estudando demais, e se arrepender depois, não?

Contexto:
- A indagada: Marianna, de 23 anos de idade, estudando para um difícil concurso jurídico, já aprovada na primeira fase.
- A indagadora: sua tia-avó, na maioria das vezes, adoráveis criaturas.
- “Arrepender depois não” = não se casar, ficar para titia ou para 'tia-avó'.

Marianna pensa, respira. Todos à sua volta (mãe, pai, irmão, Nicole e Malu – as mascotes) fitam o olhar em sua direção e a ajudam a contar: ... 7, 8, 9, 10.  Conhecem a Mari. Conhecem a tia.

__ Tia(-avó), a única coisa que me mete medo na vida é...CRIPTONITA!

Aprendamos. Criptonita, nada mais.

Seria trágico se não fosse cômico. É, Mari, é mais cômico que trágico. Você é ótima!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Super herói de meia tigela


Às vezes quero ser um “super herói”, mesmo sabendo que isso é impossível, mas vou tentando. Aula de manhã, almoço das doze às doze e trinta. “__ Samuel, mousse de novo, não”, fala a tia Cida. Tudo bem. Sobremesa doce só uma vez por semana. Ordens da minha mãe.

Depois vêm as tarefas e durante os dias da semana vou me revezando entre o inglês, o plantão de dúvidas, as aulas de futebol, de karatê, de basquete e o ensaio da banda. E ainda sobra tempo, acredite. Ah, me esqueci da aula de bateria e uma tal de ‘terapia’ que inventaram pra mim. “De perto ninguém é normal’; já ouvi isso em algum lugar.

Nas últimas semanas, porém, me tornei um especialista em bolhas, não as de sabão, mas as de pé. É que na TV fica tudo tão mais fácil... os jogadores de basquete só suam e voam, os de karatê fazem "iaaaaahhh" e pronto, o homem mal morre, e os músicos fazem muito sucesso, até os ruins. E as bolhas não aparecem.

Minha mãe bem que tenta me proteger; a fórmula é assim: hipoglós + diprogenta + micropore + beijo = pés rasgados cheios de curativo. Nada mais. Mas essa é a minha vida e, ao final da semana, chorando pelas minhas bolhas, acabo rindo de mim mesmo e da minha vontade de fazer “tudo ao mesmo tempo agora.” (essa eu sei que é do Titãs).

Mas um dia chego lá... herói, não; bolhas, com certeza.   

Por Samuel Déroulède Oliveira, 12 anos (revisado por minha mãe, é claro).