Quando a palavra escrita fala mais



quarta-feira, 31 de julho de 2013

As sombras na Caverna

No agitar dessa vida - acredito que na outra a coisa seja mais tranquila - as contradições e as dúvidas intermináveis de meninos-grandes que somos nos levam, a todo instante, a um bater de cabeça (quase literal), de um lado ao outro, que explode em sentimentos mas não se explica. Ou, ao contrário, explica-se demais, mas não traz o autoconhecimento e o metaconhecimento, necessários à tolerância e à generosidade, penso eu. Ou, sim, traz algum autoconhecimento que não consegue acalmar a alma (diferente de espírito), pois que ancorado tão somente na teoria distanciada da prática; ou que dá a sensação de que algo se acalmou, mas não nos realiza. E seguimos, pouco felizes - para não ser trágica - por não sermos capazes de transpor velhos dogmas, velhos hábitos, velhos sonhos, velhas sombras nesse bater de cabeças, que poderia ser bom... E deixamos. Simplesmente, deixamos. Ainda que não 'simplesmente', deixamos, como se não houvesse qualquer outra boa e proveitosa solução.

Como no Mito da Caverna, em que sombras e sons confundem a realidade e acabam por tornar-se a própria realidade, negligenciamos a essência e as demais possibilidades. Até que se ouse libertar via escalada do muro - desvendando que as sombras eram de si mesmo, pesadas demais ou sobrevalorizadas, e não somente do outro - já se escravizou. E, seguindo a proposta aberta e cara de Sócrates (sem querer me comparar ao sujeito, sei o quanto é caro ser aberta), ai de quem ousa descortinar o mito, a parcialidade, o fragmento e mostrar que o mundo e a vida podem ter - e têm - outros conceitos, além dos já 'fadigadamente' conhecidos: para evitar que se repita a morte do mestre, será no mínimo ignorado, abandonado. 'Melhor' acorrentar-se às falsas crenças, aos preconceitos, ao engano, permanecendo inertes nas poucas, pouquíssimas e desafiadoras oportunidades. Uma pena e uma perda irreparáveis.

Nessa busca por compreender a complexidade daquilo que gira, inexplicavelmente, nessa circunferência de 50 cm - obviamente sem a leitura de obras de que a pouca disposição me priva e que só faz sentido se acompanhada de perdão, reflexão, senso crítico e amor -, encontrei um precioso texto enviado por um colega, que, de modo mais simples, direto e espiritual, remeteu-me, em minhas associações, à Caverna. O tema? a mais assustadora sombra de nós mesmos, a sombra dos outros e a sombra que ofertamos aos outros, até sem saber, de tão sombrios que podemos ser. Enfim, a sombra que deve deixar de ser foco. 

Espero que gostem e que o texto gere mais frutos e menos debates teóricos de âmagos.


"Quando Alexandre, o Grande, tinha 19 anos, foi certa vez assistir a um rodeio com seu pai, Filipe II. E notou que ninguém conseguia montar um dos cavalos. Todos os cavaleiros eram jogados ao chão. Finalmente, Alexandre disse ao pai: “Gostaria de ter sua permissão para montar aquele cavalo. Acho que consigo.”

O pai, embora hesitante, deu-lhe permissão e Alexandre desceu à arena, colocou a mão sobre o elegante garanhão negro, virou-lhe a cabeça na direção do Sol e montou-o. Cavalgou nele em volta do estádio, parou, desmontou e o amarrou num poste. A multidão se pôs em pé para aplaudi-lo.

Quando Alexandre voltou para junto de seu pai, que estava na galeria real, Filipe lhe perguntou: “Filho, como é que você conseguiu fazer isso?” Alexandre respondeu: “Foi simples, pai. Eu apenas virei a cabeça do cavalo para o Sol, de modo que ele não ficasse assustado com minha sombra. Com a sombra atrás dele, o cavalo não ficou com medo de mim.”

Alexandre mais tarde relembrou que seu mestre, Aristóteles, lhe dissera: “Mantenha sempre sua sombra atrás de você, e conquistará o mundo.”

Paulo não era nenhum iniciante quando escreveu a epístola aos Filipenses. Já era idoso e havia alcançado uma experiência espiritual bem mais rica do que a maioria dos cristãos. Mas ainda assim ele reconhecia não ter alcançado a perfeição. E esquecendo-se das coisas passadas, ele mantinha os olhos fitos em seu alvo: Deus.

Nós também não devemos nos culpar porque ainda não atingimos o alvo. Seremos culpados se não prosseguirmos e nos acomodarmos com as realizações passadas.
Algumas pessoas olham para o Oeste, lamentando o Sol poente. Outros contemplam o nascer do Sol, animados com os primeiros clarões da alvorada. É melhor olhar para a frente, para o caminho que precisamos trilhar, do que olhar para o caminho já percorrido.
Como cristãos, devemos manter as sombras e fracassos do passado atrás de nós e virar o rosto na direção do Sol da Justiça. Os olhos precisam preceder os pés. Se nosso olhar não estiver nEle, os pés se desviarão. (Rubem M. Scheffel).



"Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo. 
Filipenses 3:13, 14".

 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Doce do dia


Ufa! Quanto tempo! 

Ainda estou me organizando nas muitas coisas por fazer, a começar pelas intermináveis gavetas. Por enquanto, deixo aqui algumas breves descobertas de frases gostosas e confortantes, como:


"O amor dá prova de si mesmo existindo; 
o amor só se sustenta no amor" (Be Lins ??)

ou 

"Na sala pactuam-se falhos e questionáveis contratos; na cozinha, constroem-se eternas alianças" - e eu não sei?
(autoria desconhecida, mas poderia ser minha).

Determinada. Aceitando-me. Bom demais. 




terça-feira, 16 de abril de 2013

Amamos, compartilhamos



comida japonesa - música - risos - tapioca - cheiro - café - beijo - trabalho - jantares - nossa rua - parque - stella artois - viagem - cozinhar - cinema - pipoca - mais beijovocê - eu - casa - rock - hotel - guitarra - voz - salmão - chama - azeite grego(...) - jamon - mojito - mesa posta - café da manhã - cama cheirosa - bom humor - chico buarque - vinho - samba-bossa - blog - amigos - desajeito - assuntos sem fim - silêncio - museu - paz - reconciliação - carinho - romantismo - artes - parceria - presença - sedução - outras stella artois - batatasdedicação - ervas - boca - churrasco - mercado municipal - projetos - futuro superação - maturidade - possibilidades - amor.

"É errado pensar que o amor vem do companheirismo de longo tempo ou do cortejo perseverante. 
O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que esta afinidade seja criada em um instante, 
ela não será criada em anos, ou mesmo em gerações.

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro
retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto
no exato ponto em que foi interrompido. 

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.

 

Afinidade é retomar a relação no ponto em que
parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais, a expressão do outro sob a
forma ampliada do eu individual aprimorado."

Khalil Gibran

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Enquanto



Hoje o texto não é meu. E quando é, não é, pois vem das impressões em torno, de você, dele, dela, de nós, de quem não conheço, de quem virá, do que imagino ser, do que gostaria que fosse, do que é. Enfim.

Mas hoje, enquanto ainda não me vem a inspiração, enquanto a respiração falha, enquanto expirar por vezes é difícil e enquanto o frio me paralisa - gosto muito do sol -, o texto realmente não conseguirá ser meu. Vem do Osório, que trouxe o Chico. Aliás, quantos grandes Chicos por aí. O Buarque, o Sá, o Diaz. Anysio, Lopes. E outros que a limitação da autora não permite citar. Enquanto isso, enquanto aquilo, o Chico me leva com ele.


Me Leva Contigo

Me leva contigo nesse teu embalo
Na tua certeza eu confio e até me calo
Eu quero com prazer, amor, a tua pureza
Esconderei bem fundo de minha alma
Tua riqueza

Me leva contigo pro teu aconchego
Na tua firmeza eu encontro meu sossego
Me leva já daqui, amor, e não demoras
Eu quero em teus braços ver passar eternas horas

Cadê o medo? Hoje bem cedo ainda senti
Mas tudo acabou, na fé do amor me envolvi
Bola pra frente, a alegria não tem preço
A tristeza chorará, pois perderá meu endereço.


Autor: Chico da Silva, via Osório. Obrigada por esse sorriso discreto que saiu daqui agora, Osório.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Entre a Consolação e a Augusta



Atrevimento meu escrever sobre uma cidade que tão pouco conheço – se é que se pode dizer conhecê-la minimamente –, mas numa São Paulo de tantas, a minha singela versão sobre a democrática megacidade, credenciada pela própria experiência, não seria tão atrevida assim. Acrescentar relatos a ela seria redundância, mas desenhar as minhas  próprias vivências e sentimentos ali, não, ainda que em 30 linhas.

O roteiro seria quase todo cumprido. Não nos culpemos por querer ficar mais meia horinha na cama no dia seguinte à chegada tardia no hotel e após a inesperada experiência notívaga de um restaurante ao qual se paga 65 reais na noite bem servida. Quem quiser experimentar o estabelecimento comercial em questão - “Sujinho” - não tardará em concordar comigo.

Atraída pelas inúmeras possibilidades da cidade, difícil pretender-se tanto em pouco tempo. No quadrilátero da Estação da Luz, a Pinacoteca e o MLP encantam; ela mais; ele, com a precisão e ternura de seus escritos e tecnologia interativa, torna tudo mais verossímil. Até mesmo o verde e flores do Parque ao lado, agarrados à vizinhança de esqueletos de concreto e aço dessa cidade de excessos e contrastes, parecem inusitados. Imagens fortes e entrelaçadas que nos pegam de surpresa, em um momento despretensioso, em que 'só' se intencionava tomar um café.

Dispenso o Bom Retiro, 'bom' para eles, 'retiro' para mim. Quantos reais retirados mesmo? Esquece, meu! 

A imperativa ida ao Mercado Municipal, alimentada por esta apaixonada por cozinha, cheiros, sabores e 'alguma' cerveja, revelou-se graciosa. E foi andando em meio aos ameaçadores camarões que, em busca de um presente para o estômago, veio a surpresa não só com o famoso sanduíche de chouriço, mas com o arrebatador Henrique do licor, da pinga e do mapa, desenhado ali mesmo.

Após o riso incontido da noite que se seguiu, do carpaccio (desta vez cru! vejam só!), dos drinks espanhóis, do pedaço de pizza do Pedaço de Pizza (tudo indicação do Henrique) e da calmaria das instigadoras e emocionantes obras do MASP - que nos proporcionam a colheita de uma dose diária de esperança e nos convidam a vencer os obstáculos apresentados por essas terras supostamente duras e pela dureza de nossa alma - é que me despedi, até a próxima garoa.


Ouso discordar de alguns.
Existe amor em São Paulo.


 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Balanço



Prestes a encontrar-me com o fim do ano, a expectativa me conduz à necessidade de alguma análise e me volve aos anos 80, quando eu achava que detinha qualquer autonomia e que o futuro seria inevitavelmente 'bem-sucedido', sem saber, obviamente, o significado real disso, além de um certo conforto financeiro e de alma.

Precocemente, desde aquela década,  sofri e sorri intensamente. E para quem acha que não se deve “arrepender do que fez, mas do que não fez” (pra mim o pior bordão já dito, além de brega), digo, sim, arrependi-me, e se pudesse voltar atrás teria feito diferente, dito mais 'nãos', evitado algumas pessoas (leia-se muitas), mas vivido com alguma intensidade, ou não seria eu.

De tudo, fica que a vida que desejei conduzir – o contrário é ainda mais pobre – distanciou-se muito da vivida e somente este ano pude de fato experimentar o verdadeiro tudo (verdadeiro para mim, obviamente): um pouco de encontro entre o discurso e a prática, o grande encontro entre uma mãe e um filho, o encontro com o amor. E complementando a ideia do parágrafo anterior, teria esperado, me esperado, nos esperado, mas a vida não foi - não é - assim.

A polissemia da vida - seja a desejada, seja a vivida - abre-se para a polissemia do amor, ainda não totalmente compreendido, levando-me a indagar sobre qual a relação entre o discurso que ele, amor, profere, e o lugar que de fato ocupa na vida das pessoas, sua essencialidade. Mais: qual a relação entre alguém que acreditamos amar e o objeto (cruamente, 'objeto' mesmo) do nosso amor. Entre mim e coisa; entre coisa e mim. Qual?

A maior descoberta concretiza-se agora, ao finalmente banir o discurso ideológico “envolvente, convincente, mas cheio de vazios” (Chaui) e entender a importância da harmonia entre palavras e ações, o verbo e o acontecer, o moderno e o tradicional, a existência e a resistência, a singularidade e as condições em torno dela, o individual e o coletivo, o ideal e o real, o hoje e o ontem, a vivência e o caminhar, a liberdade e o respeito, o medo e o passo a ser dado, o que já se viveu e a exclusividade do que há por vir, o planejado e o vivido, a 'norma e a vida' (nas palavras de Pelá), entre o que se autodenomina de 'pouco' e que me complementa ricamente, e como complementa... 

Não precisam ser antagônicos, apesar da dicotomia apresentada no texto, não precisam mesmo.

E voltando aos anos 80, rumo a 2013, o balanço que fica vem da certeza não mais de que os últimos 25 anos me credenciaram para alguma coisa, mas me proporcionaram o recolhimento de algumas palavras, o avançar de algumas certezas e o retirar do véu que me separava da compreensão do movimento da vida, que inevitavelmente existe, ainda que tentemos contê-lo. Descobrir-se inteiro é libertador e descobrir o amor pelo outro, sem boicotes, é transformador. Experimente.

Acredito em Deus e em remédios, necessariamente nessa ordem. Mas acredito em pessoas. Essa é outra descoberta. Se não acreditasse, não amaria. E amo. Como amo. 


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Em prol deles



Em tempos de aparente igualdade entre os sexos, sou finalmente rendida à ideia de que ela é, de fato, aparente. Com isso, relaxo. Não há mesmo o que fazer para ajudá-los e queria poder.

O ideal massacrante de masculinidade, impresso por características intrínsecas e sociais, ganha corpo, ao contrário do que eu poderia imaginar e contra a minha vontade. Coragem, bravura - ainda que destituídos da violência explícita exigida em tempos de guerra - habilidade, força, destreza, ordem, poder, decisão, conquista, virilidade, experiência e comando são coisas insufladas nos andreios, persistindo como imperativos morais e sociais, ao ponto de nos 'estruturar' socialmente e nos desestruturar individualmente. Ao mesmo tempo, sensibilidade, atenção, carinho, doçura, lealdade, cuidado, sorriso, perfume, pontualidade... e ainda tem que ser músico e ter 'pegada'? Perfeito (pra quem?).

E por mais que se insista nas tentativas psicológicas e literárias (autoajuda não é propriamente literatura, vai...) de amenizar a hegemonia da masculinidade imposta a eles, ela implaca como uma ideologia, ratificando, cada vez mais, as diferenças naturais entre homem e mulher. E elas (nós) pagamos por isso também.

Ai daqueles (coitados dos meus pequenos) que não se arranjam nos papéis masculinos prescritos e se atrevem em direção diversa, a caminho de um novo sentir, desencadeando um verdadeiro desajuste entre a sua vivência e o modelo: coisa boa, mas doída.

(Parêntese no ‘sentir’: homem sensível não é homem que usa creme. Isso se chama ‘nicho mercadológico’. Homem que usa creme é no máximo um homem com pele ressecada, jamais sinônimo de homem sensível. Entendam isso, meninas).

E por uma tendência também social, enquanto a menina identifica seu pai, irmãos e professor de matemática como homens, obviamente em graus e percepções diferenciadas, o menino só vem a descobrir que existe uma coisa chamada ‘mulher’ ao se afastar exatamente de sua mãe e irmãs (em direção, inicialmente, às primas, diga-se de passagem), sem qualquer tempo razoável entre a descoberta e a vivência, a vivência e a opção, a opção e a maturação.

De tudo que fica deste breve ensaio que tenta se solidarizar com eles e assumir algumas características e imposições que nos fazem diferentes, e muitas vezes pesados, é que naturalmente se compreende a frase dita por Chico Sá (filósofo, escritor, jornalista, humorista, nordestino, tudo de bom): homem e mulher não foram feitos para dar certo; foram feitos para amar.

Boa sorte e amo vocês, homenzinhos da minha vida, desse jeito todo.


terça-feira, 19 de junho de 2012

A constância de um ECG


Uma conversa entre quatro mulheres, no ambiente de trabalho, pós-almoço, não poderia dar em outra coisa. O tema é 'casamentos e separações'. O contexto: aguentar tudo e seguir? chutar o balde de vez? ponderar, quando se é possível ponderar? ou viver num seguir-chutar, seguir-chutar interminável? É quando a colega faz a pergunta:

__ Ludmila, você se acha inconstante?

Penso... Respondo: 

__ Sou assim: vou até onde é possível ir. Tento, erro, acerto, alerto, brigo, imploro, insisto, afasto e novamente tento, erro, acerto, alerto, brigo, imploro, insisto. Isso dura no máximo 3 anos (já durou 3 dias também), desde que se tenha muita coisa em jogo. Como não sei jogar, decido. Depois, não tem volta. Se desistir, após muito tentar e para não ser massacrada, é ser inconstante, então, sim, sou sempre inconstante, o que faz de mim alguém constante.

 __ Oi?????

( __ a resposta era pra ser "sim" ou "não"?)

Foi quando, para me ajudar (definir-se não é fácil), intervém - nada mais, nada menos - que A cintilante estagiária (sempre eles):

__ Você é um eletrocardiograma, então. Sobe e desce em uma constante. Até porque, se ficar reto, morreu.

Ufa! Isso. Simples assim. 

Obrigada, Sílvia. Não há melhor definição para o que sou: um (im)perfeito eletrocardiograma vivo, bem vivo...




sexta-feira, 27 de abril de 2012

Entre amigos


As noites entre amigos nunca foram tão boas. A combinação pessoas afins x comida x palhaçada x música é irresistível. E quando digo ‘pessoas afins’, neste caso, tratam-se das mais diferentes possíveis, que compuseram ao menos duas experiências sublimes nos últimos dias.

Na mesa pra 7 estão a de 44 (a amiga supreendente), a de 39 (a autora, autoamiga), o de 41 (o italiano sorveteiro, segundo a agenda do meu celular – quase apanhei por isso), o de 34 (o diferente-desconfiado – ‘defina diferente’, diz ele), a de 21 (estagiária modelo, nos dois sentidos), a de 16 (filha modelo, também em todos os sentidos) e o de 22 (futuro jurista/futuro músico/futuro intercambista – e que belo futuro...).

Nessa reunião mágica de ingredientes feitos de diferenças, afinidades, costelas ao barbecue, chás e outras bebidas, a dobradinha de chope e de caipirinha antes das 20h nos obriga – estupidamente, reconheço – a golear rápido. Seguramente não é a falta de dinheiro para o pagamento individual dos drinks após as 20h que nos incita, mas a economia é uma excelente desculpa para a inquietação do grupo.

E o bom de ter 39 anos e de sair de casa com o único objetivo de estar entre amigos é, entre outras coisas, não se preocupar se os caras da mesa ao lado nos olham insistentemente por testemunhar – não acreditando – a tentativa de junção de joelho-palmas-testa para o teste da bebedeira ou se pela beleza das moças; ou moços, sabe-se lá.

O fato é que esse papo de que ‘quem tem amigos tem tudo’ é realmente relevante e, apesar de eu ter sido generosamente abençoada durante toda a minha vida por amizades duradouras, pacientes e verdadeiras, as vivências recentes ainda surpreendem, a começar pelos tantos que se oferecem para ficar com o Luca, em verdadeira disputa, somente para contribuir com os meus planos de sair de casa e me divertir, relaxar, o que muitas vezes acaba somente nisso, planos:

__ Oi, como está tudo aí?
__ Ele está bem...
__ Ah, é? E o que é isso que estou ouvindo? Ele está bem mesmo? (alguém se lembra do Zezé, o bebê de “Os Incríveis” nas cenas finais do filme? então...).
__ Lud, não se preocupe, vou dar uma bola a ele e ficará tudo certo! Vá se divertir!
__ OK! (campainha: “vem mamãe...”).

E não é que, finalmente, ele ficou bem mesmo (dormindo sobre o peito do meu pai, um velho amigo...) e possibilitou o relato a seguir?

A noite, que começou 24h antes com uma amiga-irmã, caiu em boas palavras, poucos goles, alguns risos, boa música e um louco pentagrama de 5, ops 3, ops 5 linhas novamente, nos olhando. Caiu – ou, ao contrário, ascendeu – em amigos, em mim, neles, nelas, em todos nós.

Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e os amigos, 
que são os nossos chatos prediletos.
(Mário Quintana)


sábado, 21 de abril de 2012

Um ano de muito amor

Queridos,


no link FESTA DO PAIOL - Luca, 1 aninho (na coluna direita do blog), as fotos da celebração de um ano da vinda do Luca na minha vida e, de consequência, um ano de gostosura, alegria, sorrisos, pezinhos lindos, cachos loiros e muitas, muitas bolas espalhadas.